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Crítica

Cop Car | Crítica

Dois meninos de 10 anos e Kevin Bacon valem um Homem-Aranha

Marcelo Forlani
16.08.2015
22h32
Atualizada em
16.08.2015
22h43
Atualizada em 16.08.2015 às 22h43

No Festival de Sundance, nos Estados Unidos, os diretores de pouca experiência se aglomeram em busca de um lugar ao sol. Primeiro porque as montanhas de Utah estão sempre congeladas nesta época, mas principalmente porque é lá que os produtores vão atrás de filmes baratos que podem lhes render muito lucro (A Bruxa de Blair, Pequena Miss Sunshine, Quatro Casamentos e Um Funeral, Amnésia, Jogos Mortais e Cães de Aluguel são alguns dos exemplos que foram exibidos primeiramente lá), mas também atrás de talentos promissores (Kevin Smith, Quentin Tarantino, Bryan Singer, Noah Baumbach, David O. Russell e Jim Jarmush foram descobertos em Sundance).

A história de sucesso deste ano tem um nome: Jon Watts. O diretor, que antes só havia feito Clown (2014) e alguns curtas-metragens e filmes para TV, estava lá com seu novo longa, Cop Car (2015). Estrelado por Kevin Bacon e dois meninos de 10 anos de idade, James Freedson-Jackson e Hays Wellford, o filme chamou atenção e Watts foi convidado para dirigir o novo remake do Homem-Aranha, programado para 2017, após a aparição do herói em Capitão América: Guerra Civil. 

Cop Car não é um filme imperdível, mas é fácil entender porque Watts foi chamado para levar este novo cabeça-de-teia de volta aos cinemas. Ele mostrou aqui que sabe trabalhar com adolescentes sem mostrá-los na tela como pequenos adultos ou infantilizados demais. Os dois meninos começam o filme andando pelo meio de um longo campo. Um fala um palavrão e o outro tem de repetir. É a velha brincadeira do “duvido que você faça”, que provavelmente levou os dois garotos a fugir de casa e vai colocá-los em encrenca muito maior quando eles acharem o tal carro de polícia do título. 

O veículo, vamos descobrir depois, pertence a Kevin Bacon, em mais um papel de vilão. Em uma sequência cheia de humor e uma única fala (um palavrão dito quando algo dá errado), entendemos os motivos que o levaram até ali e com sádicos olhos vamos vendo seu personagem se afundar cada vez mais na lama em que se meteu. Esta primeira parte é divertida, em especial a fuga dos garotos com o carro, uma comédia de descobertas com que qualquer um facilmente consegue se identificar. 

Porém, em determinado momento, o tom do filme muda e tudo fica igualmente tenso - e até certo ponto previsível. Faltou a Watts e Christopher D. Ford (corroteirista) um pouco de malícia para brincar com as expectativa do público e surpreendê-lo. Tudo o que você imagina que vai acontecer, acontece. Esta falta de experiência não estraga o resultado final, mas diminui o clima meio irmãos Coen que vinha sendo construído. 

Há um ditado em inglês que diz “boys will be boys”, algo como "meninos sempre serão meninos", ou seja, vão fazer molecagens e serão imaturos. Watts, que acabou de completar 34 anos, mostrou que ainda se lembra do que é ser um moleque e isso já é um ótimo ponto de partida para o novo filme do Homem-Aranha, que será estrelado por Tom Holland.

 

Cop Car
Cop Car

Ano: 2015

País: EUA

Classificação: LIVRE

Duração: 86 min

Direção: Jon Watts

Roteiro: Jon Watts, Christopher D. Ford

Elenco: Kevin Bacon

Nota do Crítico
Bom

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