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Sem Proteção | Crítica

Novo de Robert Redford é melancólico em suas constatações e não poupa ninguém

Érico Borgo
10.09.2012
01h32
Atualizada em
29.06.2018
02h37
Atualizada em 29.06.2018 às 02h37

Em The Company You Keep, Robert Redford (Leões e Cordeiros), adaptando o romance de Neil Gordon, segue em seu cinema politizado e liberalista, inspirado diretamente na produção dos anos 1970.

Além de dirigir, Redford vive um dos personagens principais, Jim Grant, um advogado de cidade pequena que é desmascarado através um artigo de jornal como um terrorista (que protestava a Guerra do Vietnã), procurado há 30 anos pelo FBI. Agora um pai de família, o homem precisa correr enquanto a caçada a ele recomeça. Mas não é apenas o governo que o procura. O repórter que escreveu a matéria, vivido por Shia LaBeouf, também está no seu encalço, desconfiado que algo a mais aconteceu há três décadas, quando um policial foi morto durante uma das ações do grupo do fugitivo, o Weather Underground.

The Company You Keep

None

The Company You Keep

None

O longa conta com elenco de apoio inspirado - Julie Christie, Susan Sarandon, Nick Nolte, Sam Elliott, Richard Jenkins e Brendan Gleeson -, mas sua estrutura de fuga-encontro-fuga-encontro fica monótona em pouco tempo. Não é exatamente uma "caçada", mas uma perseguição em câmera lenta... e as pistas parecem tão simples de serem seguidas (o repórter mais usa o Google que outra coisa) que é difícil acreditar que o FBI não conseguiu achar Grant em 30 anos.

Clássico em sua execução, o filme relembra diversos thrillers políticos estrelados e conduzidos por Redford, mas traz agora uma crítica não apenas ao governo, mas também à mídia e aos próprios revolucionários, em tom melancólico pela revolução que nunca aconteceu. Obviamente, não isenta as autoridades de responsabilidade, relembrando atrocidades, etc, mas está mais interessado em questionar os outros lados da moeda, sejam eles ideológicos ou comerciais. "A causa não acaba só porque você cansou-se dela", diz uma das personagens ao protagonista. "Eu não cansei. Eu cresci", responde.

Ao final, Redford deixa evidente que ainda acredita em ética, no papel do jornalismo, nas qualidades humanas e que o crescimento evidenciado na frase acima é uma necessidade - e a família uma prioridade. Está mesmo ficando velho.

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Nota do Crítico
Bom