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Crítica

Como Agarrar meu Ex-Namorado | Crítica

Filme transforma suspense literário de sucesso em comédia romântica ruim

Marcelo Forlani
12.04.2012
20h06
Atualizada em
21.09.2014
14h38
Atualizada em 21.09.2014 às 14h38

Katherine Heigl é o Adam Sandler das comédias românticas. Os dois estrelam mais projetos do que deveriam, um com qualidade mais questionável do que o outro. Duas das coisas que os diferenciam são que o ex-Saturday Night Live às vezes acerta na escolha - Embriagado de Amor, Reine Sobre Mim - e ele geralmente consegue fazer dinheiro, enquanto a ex-Dra. Izzie de Grey's Anatomy só tem um filme bom e acima dos 100 milhões de dólares - Ligeiramente Grávidos -, que é, na verdade, um filme do Judd Appatow, não dela.

Como Agarrar Meu Ex-Namorado

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Como Agarrar Meu Ex-Namorado (One For the Money) tem, então, tudo para dar errado. E, por esta lógica, não desaponta. Começa pelo argumento equivocado: uma mulher desempregada, que vai filar janta na casa da mãe simplesmente porque não tem grana para se bancar, desiste de procurar empregos e vira caçadora de recompensas. Mas seu primeiro caso é entregar para a polícia o cara que tirou a sua virgindade aos 17 anos e nunca mais ligou para ela. Passado tanto tempo desde a época do colégio, ele deixou o passado para trás, se tornou um tira, mas agora é procurado por assassinato e está foragido. Ou seja, ela entra nessa muito mais por vingança pessoal do que pelo seu desespero financeiro.

A partir daí, o filme troca de gênero, deixando de ser uma comédia romântica para virar um policial. Ou melhor, um policial barato, carregado de vícios e trejeitos dos anos 70 e 80, incluindo uma trilha sonora datada e uma locução em off que só serve para mostrar como Heigl não tem carisma. Para completar o cenário desesperador (para quem está assistindo), o desenrolar da história é desinteressante, com tentativas de reviravoltas que não convencem e personagens secundários descartáveis.

E daí começam as dúvidas, que também podem ser entendidas como "furos de roteiro". Por exemplo, se ela não tinha dinheiro e perdeu o carro, por que continua morando sozinha em um apartamento em vez de voltar logo para a casa da mãe? Que tipo de treinamento ela fez para passar de alguém que mal sabe segurar uma arma a alguém que não erra o alvo em três dias só porque está com raiva? Que tipo de polícia é esta que não consegue prender um cara acusado de assassinato e que é facilmente localizado por uma amadora que está na profissão de caçadora de recompensas há um dia? Onde estava o tal do caçador de recompensas profissional e anjo da guarda, Ranger (Daniel Sunjata), no clímax do filme?

Talvez nos livros escritos por Janet Evanovich sobre a personagem Stephanie Plum (Heigl) tudo isso seja melhor explicado, mas o que sobra no roteiro de Liz Brixius, Stacy Sherman, Karen Ray e na direção de Julie Anne Robinson é só um apanhado de fatos isolados e desconexos. Muito é culpa da infeliz ideia de transformar os suspenses literários de grande sucesso e que já ganharam 17 continuações em algo mais fácil para o público feminino que vai atrás de qualquer coisa do gênero. Com tantas mulheres envolvidas em posições de tomadoras de decisão, era de se esperar algo menos machista e sem inteligência, que não tentasse reduzir a figura feminina a alguém que continua apaixonada pelo cara que a seduziu na adolescência.

Assim, se Adam Sandler confirmou seu "favoritismo" e Cada Um Tem a Gêmea Que Merece levou 10 dos 11 Framboesas de Ouro a que concorria, Como Agarrar Meu Ex-Namorado já desponta como forte concorrente ao prêmio em 2012.

Nota do Crítico
Ruim