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Com pouco a dizer e uma dependência total de sua estrela, nova produção da Netflix peca em não fugir do óbvio

Matheus Bianezzi
15.02.2019
19h54
Atualizada em
15.02.2019
20h17
Atualizada em 15.02.2019 às 20h17

Close tinha vários argumentos que faziam dele um conteúdo simples de gerar expectativa. A Netflix não tem lançado muitos filmes de ação; as protagonistas são todas mulheres; a atriz Noomi Rapace é dona de uma força surreal comprovada em outros papéis; e a sequência de abertura é realmente entusiasmante. Até os créditos iniciais tem uma preocupação estética conceitual e refinada. Pena que esse esmero acaba por aí. O resto dele se provou monótono e capaz de gerar tanta empolgação quanto qualquer outro filme de ação sem propósito geraria. No fundo, é só mais do mesmo.

O enredo é bastante descomplicado. A guarda-costas de elite Sam Carlson (Rapace) é contratada para cuidar de uma adolescente que recebeu uma herança milionária do pai, recém-falecido. Sendo agora uma das maiores acionistas de uma mineradora no Marrocos, a jovem Zoe Tanner (Sophie Nélisse) torna-se repentinamente um grande alvo para sequestros. Numa viagem até o país africano, onde teoricamente deveria visitar as instalações da empresa, o previsível acontece e um grupo de “terroristas” tenta raptar a herdeira. A partir daí, a narrativa é a mais óbvia possível, mostrando Sam e Zoe fugindo incansavelmente entre as ruas deterioradas da cidade.

A falta de inspiração do filme, apesar de bastante chata de se assistir, era de certa forma prenunciada. Gravado em apenas 29 dias e feito sob baixo orçamento, a grande aposta dele era a protagonista Noomi Rapace, que viveu a icônica Lisbeth Salander em Os Homens que não Amavam as Mulheres. Ela brilha, e muito, mas não segura o barco sozinha. A impressão que dá é que ela é uma das únicas coisas positivas em um mar de ação genérica e que precisa urgentemente de projetos melhores para trabalhar. É de sua responsabilidade, e não do roteiro, que o longa se torna levemente interessante e até mesmo convincente. Ainda que o passado da personagem seja muito mal desenvolvido, dá pra entender que o estoicismo da guarda-costas é devido ao passado conturbado e cheio de perdas. A construção de Sam é cheia de buracos que são tampados graças ao esforço de Rapace.

Zoe Tanner, por sua vez, é uma personagem bastante sem graça. Reprisando o desgastado arquétipo de menina rica que precisa ser salva, o enredo não favorece em nada uma ligação entre a jovem e o público. A culpa não é somente da atriz Sophie Nélisse. Ela de fato não está mal, mas, por não ter a mesma força de atuação que sua companheira, acaba entregando um papel cru e linear, difícil de criar qualquer empatia entre os espectadores.

A ausência de um antagonismo forte também é uma das fraquezas do longa. Em películas de ação, é importante ter uma figura minimamente vilanesca do outro lado. É essencial que o público saiba porque está torcendo durante cada embate. Representar a facção inimiga com lacaios genéricos não é bem uma escolha esperta a se fazer. Mesmo em filmes violentos e frenéticos, como é o caso da franquia John Wick, que se justifica pela porradaria, a figura de um algoz eleva cada tiro a um novo patamar, e não deixa a produção soar tão vazia e superficial.

Embora a trama não seja baseada em uma história verídica, a personagem Sam Carlson foi inspirada na guarda-costas Jacquie Davis. Em seu currículo, constam J.K. Rowling, Diana Ross e membros da família real britânica. Com esse time nas costas, talvez um filme baseado nas vivências reais de Jacquie teria sido muito mais empolgante de se assistir. Tendo uma base mais sólida e, quem sabe, a estrela de Noomi Rapace não brilhasse sozinha.

Nota do Crítico
Regular