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Crítica

Citizen Vigilante mira a polêmica e acerta o constrangimento

Filme de Uwe Boll marca a volta de Armie Hammer, de A Rede Social e Me Chame Pelo Seu Nome, às telas

Omelete
3 min de leitura
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06.07.2026, às 23H33.
Atualizada em 07.07.2026, ÀS 00H00
Citizen Vigilante mira a polêmica e acerta o constrangimento

Citizen Vigilante é mais um daqueles filmes que se fazem notar pela polêmica. O longa é estrelado por Armie Hammer, acusado de abuso sexual em 2023, dirigido por Uwe Boll, cineasta alemão conhecido por filmes violentos e por uma assinatura bastante particular, e entra no debate sobre imigração na Europa em meio a sucessivas crises políticas na região. A receita é cirúrgica: não faltam elementos para ganhar atenção nas redes sociais. Por outro lado, vai ser difícil até mesmo para os fanáticos por algum dos ingredientes dessa mistura defender algo tão falho.

Conhecido por seus filmes de baixo orçamento, Boll conta a história de um ex-militar americano que está na Croácia para cuidar dos negócios do pai e “cansou” da justiça falha, da polícia manipulada e dos imigrantes que, segundo sua visão, destroem a pureza que um dia teria dominado o continente, ou o mundo inteiro, como o filme muitas vezes dá a entender. “Não adianta esperar nada deles, faça com suas próprias mãos”, diz o Vigilante, ecoando o discurso que inflamou movimentos como o 8 de janeiro no Brasil e a invasão do Capitólio nos Estados Unidos. A partir daí, ele sai em busca de pessoas que cometeram crimes, juízes que não condenaram criminosos e policiais corruptos.

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O roteiro é um desfile de preconceito e retórica simpática ao fascismo, da iconografia militarizada ao discurso de pureza latente nas falas do personagem de Hammer. Boll, responsável também pelo texto, tenta transformar o protagonista em uma espécie de anti-herói inspirado pelo Batman, não por acaso o primeiro título não oficial do filme era Cavaleiro das Trevas, vestindo preto e perseguindo corruptos. Não há, porém, nenhuma vergonha em replicar a estética incel e o ódio aos imigrantes que, no filme, são tratados como os grandes responsáveis pela “derrocada do sistema”.

Ideologia de lado, se é que isso é possível, Citizen Vigilante consegue falhar até mesmo nas tarefas mais simples de um longa-metragem. Hammer, que outrora esteve em filmes premiados como Me Chame Pelo Seu Nome e A Rede Social, entrega uma atuação capaz de enterrar, de uma vez por todas, uma carreira já prejudicada por fatores externos à tela. Inexpressivo, o ator se joga na figura medonha de um cidadão que, em 2026, ainda acredita na missão divina dada ao estadunidense de “limpar” o mundo. Mesmo as cenas de ação, onde Boll um dia brilhou, se impõem apenas pelo sangue jorrando e por pedaços voando. Não há uma trama real no filme, apenas um panfleto mal construído de ideias de alguém preso em um passado em que era o centro do universo e todos os outros eram apenas figurantes.

Não é possível dizer, porém, que Citizen Vigilante fracassa em tudo. Afinal, conseguiu alguma atenção da mídia e até distribuição internacional, mesmo que tenha sido banido em alguns países. Em uma época em que qualquer narrativa é usada para justificar aceitação ou sucesso, resta isso a Boll, Hammer e companhia.

Nota do Crítico

Citizen Vigilante

Citizen Vigilante

Direção: Uwe Boll
Roteiro: Uwe Boll
Elenco: Armie Hammer
Onde assistir:

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