Cinderela Pop

Créditos da imagem: Panorâmica/Divulgação

Filmes

Crítica

Cinderela Pop

Comédia romântica acerta em cheio na adaptação moderna do clássico

Julia Sabbaga
28.02.2019
15h50

A história da Cinderela já é conhecida há alguns séculos. A saga da garota injustiçada que supera adversidades já foi contada e recontada em filmes, livros e séries, em adaptações clássicas ou modernas e alguém poderia imaginar que a história já está desgastada para os tempos atuais. Mas Cinderela Pop, a nova versão que chega às telas, baseado no livro de Paula Pimenta, conseguiu trazer a magia para os tempos modernos com muito estilo, e recheado de sororidade e emoção.

Na nova versão, Maísa é Cíntia Dorella, uma garota descolada que trabalha de DJ quando há um bico, e vive com a tia após o pai ter deixado sua mãe por uma madrasta maléfica que, claro, tem duas filhas desagradáveis. As garotas de sua escola estão obcecadas por um novo astro da internet, o cantor Fredy Prince (Filipe Bragança), e Cíntia é a única que não se importa com o compositor. Até que ela se encontra com ele em um baile, quando os dois estão mascarados, e o filme se desenvolve nos encontros e desencontros do casal, desafiados pelas adversidades impostas pela madrasta Patrícia (Fernanda Paes Leme) e incentivados pela “fada madrinha” tia Helena (Elisa Pinheiro).

O grande triunfo de Cinderela Pop é fazer uma releitura refrescante de uma trama tão antiga, colocando o tempero de Cinderela em uma comédia romântica adolescente sem parecer ultrapassado em nenhum momento. O foco principal da história clássica continua lá, desde a família conflituosa até o sapatinho esquecido e a escapada do baile à meia-noite, mas existe uma originalidade admirável na trama. Para começar, a protagonista é rodeada de ótimas personagens femininas: sua tia Elena, a amiga Lara (Bárbara Maia), e a melhor amiga de Freddie Prince, a blogueira Belinha (Giovanna Grigio), são cheias de personalidade e reforçam ideias de sororidade sem em nenhum momento pesar para o lado brega. Claro que, em 2019, os twists em uma Cinderela moderna também estão lá, e as reviravoltas no grupo de vilãs também dão mais toques de força feminina no filme.

Além disso, Cinderela Pop trabalha em cima de tramas retiradas do conto clássico com muita naturalidade, e as evolui trazendo para a tela relações e conflitos adolescentes realmente humanos. Por mais exageradas que sejam as tramas da vilã, e os sofrimentos de Cíntia, o longa consegue refletir dramas jovens e fervores adolescentes com um tempero comovente real. 

Mas enquanto as personagens femininas são o ponto forte do filme, existe, no entanto, um problema com os homens em Cinderela Pop. Não há problema, principalmente em comédias, em se utilizar de caricaturas, mas o filme sofre em não incluir uma figura masculina com uma complexidade real. O mocinho Fredy Prince é carismático e Filipe Bragança carrega o papel de galã perfeitamente, mas tanto ele, como o pai, interpretado por Marcelo Valle, sofrem de uma certa superficialidade. O personagem de Rafa (Sergio Malheiros), namorado da tia Helena, chega perto de ter uma segunda camada de personalidade, mas mesmo assim, o filme carece de um personagem masculino real. Além disso, Cinderela Pop sofre do problema comum de muitas adaptações de livro, quando encaixa coisas demais em uma trama que poderia ser mais simples.

Mesmo assim, Cinderela Pop é uma comédia romântica cativante, liderada pelo carisma de Maísa e um apoio de ótimas atrizes. A trama tem uma apelo perfeito ao público alvo de jovens garotas e se sustenta em seu estilo moderno, com boas piadas e coincidências charmosas. É uma adaptação justa e sem grandes riscos, mas com o grande valor em sua mensagem positiva e ótimas personagens. 

Nota do Crítico
Bom