Foto de Chorar de Rir

Créditos da imagem: Chorar de Rir/Warner/Divulgação

Filmes

Crítica

Chorar de Rir

Leandro Hassum faz um balanço não-oficial da carreira

Camila Sousa
01.04.2019
14h23

Para quem conhece o mundo da dramaturgia, não é surpresa descobrir que a comédia carrega um certo estigma. Enquanto atores e filmes dramáticos são amplamente reconhecidos e celebrados, a comédia é valorizada de formas alternativas e nem sempre recebe o mesmo status de grandiosidade das produções dramáticas. Esse é um dos pontos discutidos em Chorar de Rir, novo filme de Leandro Hassum em que o astro faz um balanço “não-oficial” de sua carreira. A proposta é interessante, mas a execução é, no mínimo, esquisita.

Depois de perceber que gostaria de estrelar um drama, Nilo Perequê (Hassum), faz de tudo para que sua peça de teatro seja sucesso, inclusive contratando um aclamado diretor para ajudá-lo no processo. Mas o projeto dá errado quando Nilo é amaldiçoado (literalmente) a nunca mais conseguir fazer as pessoas chorarem. A partir de então, seu único talento será fazer as pessoas rirem. Não é impossível fazer um paralelo da situação absurda com a realidade dos atores. Há sim muitos artistas que gostariam de estrelar obras dramáticas, mas simplesmente não funcionam ou não encontram oportunidades dentro do gênero e se consagram como humoristas.

Mas o que poderia ser uma discussão interessante perde espaço para os absurdos do filme, como a participação inexplicável de Sidney Magal. Como Chorar de Rir é definido como uma comédia, isso seria tranquilo se as piadas em si fossem boas e realmente fizessem… rir. Só que os momentos de humor não tem efeito. Em uma sessão com quase duas horas, as únicas risadas da sala de cinema surgem quando Caito Mainier aparece interpretando um apresentador de TV que é exatamente igual ao Rogerinho do Ingá, do Choque de Cultura.

De resto, os momentos de humor são desconectados do resto da trama e se tornam piadas soltas e sem sentido. A culpa não é totalmente de Hassum. O ator funciona bem dentro de seu núcleo, incluindo as partes dramáticas e a interação com seu pai, seu Romeu (Perfeito Fortuna). Só que o personagem entra em tantas situações absurdas e sem sentido que o ator parece perdido. Antes de desenvolver alguma coerência narrativa, tudo muda e Nilo está em uma realidade totalmente diferente, apenas para depois tudo ser alterado novamente.

Quando Chorar de Rir termina, a sensação que fica é de estranheza. A resolução para o impasse envolvendo o protagonista fica muito clara ainda no meio da história e por isso não há nenhuma surpresa. Ao tentar mergulhar no drama e humor ao mesmo tempo, o filme não executa nenhum dos dois com plenitude e Hassum desperdiça a chance de falar sobre sua trajetória de forma autêntica. Uma pena em todos os sentidos.

Nota do Crítico
Regular