Chacrinha: O Velho Guerreiro

Créditos da imagem: Chacrinha: O Velho Guerreiro/Globo Filmes/Reprodução

Filmes

Crítica

Chacrinha: O Velho Guerreiro

Valendo-se da nostalgia, filme até entretém, mas falha ao não ter claro o que tem a dizer sobre o ícone da TV brasileira

Mariana Canhisares
19.11.2018
16h19

Abelardo Barbosa, o Chacrinha, é certamente um dos nomes mais emblemáticos do entretenimento no Brasil. Não somente pelos seus famosos bordões e fantasias extravagantes, mas por ter revolucionado o formato e a dinâmica dos programas de auditório. Propondo-se a contar a carreira do comunicador desde sua chegada ao Rio de Janeiro, o diretor Andrucha Waddington leva o espectador para os bastidores da TV e do rádio em Chacrinha: O Velho Guerreiro.

Embora seja evidente a intenção de homenagear o ícone da televisão brasileira, o longa não tem claro o que tem a dizer, nem que tipo de obra quer ser. Quando tenta ser uma cinebiografia quase enciclopédica, fica desinteressante. Cena após cena se prova o quão workaholic, perfeccionista e, ainda assim, espontâneo o apresentador era. No entanto, não se tem a dimensão da importância dele para o entretenimento do país, como se o filme presumisse que o espectador já tem plena noção disso.

Por outro lado, quando encarna a breguice e o carnaval do programa do Chacrinha, a produção transborda da tela e vira uma grande viagem nostálgica. A música, o vai-e-vem dos artistas, o próprio palco. Tudo contagia, tamanha a beleza do design de produção e dos figurinos. Porém, depois de algum tempo, estes elementos não são suficientes e se cai na questão: será que não valia mais a pena reassistir aos programas no Youtube ou, ao menos, ver um documentário de verdade?

No fundo, faltou um fio condutor à narrativa, explicitar o motivo para se estar contando aquela história. Sem isso, os fatos abordados - que não são poucos - não têm peso dentro da jornada do personagem-título e o filme se torna somente um emaranhado de dramatizações de acontecimentos, em ordem cronológica.

Essa sensação é agravada quando se observa com atenção as performances do elenco. Mesmo que divertidas, é difícil distinguir o que é imitação do que é atuação, especialmente nos personagens famosos e caricatos. Encarregados de interpretar o protagonista em épocas diferentes, Stepan Nercessian e Eduardo Sterblitch derrapam justamente nessa linha tênue. Ainda assim, é evidente que Nercessian tem um pouco mais de naturalidade para encarnar a persona do Chacrinha, talvez por já ter cumprido essa tarefa no espetáculo musical. Sterblitch, apesar de carismático, brilha mesmo nos momentos mais cômicos das primeiras transmissões no rádio.

A verdade é que Chacrinha: O Velho Guerreiro entretém nos seus momentos mais saudosistas. Mas, sem um roteiro bem decidido, o filme é somente espalhafatoso. Não sana nem a curiosidade dos fãs do apresentador, nem salienta sua relevância para as novas gerações.

Nota do Crítico
Regular