Gato Church em Cemitério Maldito

Créditos da imagem: Cemitério Maldito/Divulgação

Filmes

Crítica

Cemitério Maldito

Nova adaptação coloca a ótima trama de Stephen King em um filme preguiçoso, sem personalidade e pouco impactante

Arthur Eloi
09.05.2019
12h54

Na ativa desde a década de 1980, Stephen King nunca perdeu a relevância por sempre experimentar coisas novas em sua escrita - mesmo que sob diferentes nomes. Recentemente, graças à dedicação, alcance e variedade temática do autor, a indústria audiovisual resgatou os clássicos de King e deu início à uma nova era de adaptações, como Jogo Perigoso, Mr. Mercedes, Castle Rock e It: A Coisa. Agora, o terror ressuscita nos cinemas na nova versão de Cemitério Maldito.

Na trama, uma família se muda para uma grande casa no interior e descobre que o cemitério de animais usado pela cidade faz parte de seu terreno. Quando Church, gato da família, morre e é enterrado em uma área proibida do local, eles descobrem que o cemitério tem o poder de trazer os mortos de volta a vida - mas nunca do mesmo jeito que antes. Tematicamente, a história de King - baseada no conto “O Cemitério” - se mantém perturbadora e, ao mesmo tempo, intrigante, mas o restante da adaptação não chega à altura da premissa.

O filme sofre de uma grave falta de estilo que impacta toda a sua apresentação: a fotografia é sem graça, a trilha sonora é completamente esquecível, os cenários passam batidos, e mesmo os momentos bizarros são conduzidos de forma genérica e apagada, quase como se desprezasse a própria estranheza da história ao contá-la da forma mais “realista” e tediosa o possível. O mais próximo que chega de um acerto vêm na subtrama do trauma de Rachel (Amy Seimetz) com sua falecida irmã, que gera bons sustos e cenas horripilantes da assombração de corpo torcido se arrastando e aterrorizando a personagem.

O que também complica a ausência de personalidade de Cemitério Maldito é o elenco morno: enquanto nenhum é péssimo ao ponto de atrapalhar, também ninguém se destaca nem nos momentos de tensão ou emoção. Jason Clarke por exemplo, que interpreta o protagonista Louis, não sabe trazer o peso dramático para a grande reviravolta do longa; Jeté Laurence, que vive a garotinha Ellie, também não conquista o público e nem segura a barra na hora de assustar. Nem mesmo Jud, vizinho interpretado aqui por John Lithgow, entrega o mistério e aumenta tensão ao conduzir Louis pelo cemitério, soando mais amigável e esquecível do que na obra original ou mesmo na primeira adaptação de 1989, em que foi vivido pelo excelente Fred Gwynne (Os Monstros). Não é um exagero dizer que o felino Church é o mais expressivo do elenco, já que todos os miados, sibiladas ou mesmo a estranha presença de tela foram feitas com gatos reais ao invés de computação ou animatrônicos - ao ponto de roubar a cena todas as vezes que aparece.

Cemitério Maldito não é a melhor representação do potencial audiovisual de King. Até mesmo mesmo It: A Coisa, que se apoia mais no humor, combina a temática terrível com estética horripilante e cenas de tensão. Já o novo filme não tem nada disso, introduzindo a trama original em uma produção preguiçosa, inconsistente e, consequentemente, facilmente esquecível. Em meio à tantas boas traduções visuais da obra do autor, “O Cemitério” merecia ser ressuscitado de forma mais atenciosa e impactante - caso contrário, seria melhor ter ficado morto mesmo.

Nota do Crítico
Regular