Cats

Créditos da imagem: Universal Pictures/Divulgação

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Crítica

Cats

Trilha sonora e coreografias de qualidade não salvam musical de visual bizarro e atuação desconfortável de suas principais estrelas

Nicolaos Garófalo
20.12.2019
18h37

Uma das produções mais famosas da Broadway, Cats nunca foi consenso entre a crítica especializada desde que estreou em 1982. Já a adaptação cinematográfica da peça, estrelada por nomes de peso como Idris Elba, Judi Dench, Taylor Swift e sir Ian McKellen, recebeu críticas adiantadas pelo assustador trailer lançado em julho, cujo visual causou uma onda de reações negativas, que tiveram que ser rebatidas por produtores e pelo diretor Tom Hooper.

Infelizmente, apesar de alguns retoques, os efeitos visuais de Cats seguem aterrorizantes e irregulares, tornando atores como a protagonista Francesca Hayward irreconhecíveis, enquanto personalidades mais famosas, como Rebel Wilson e James Corden, têm seus rostos mais expostos e se tornam um híbrido ainda mais assustador de computação gráfica e ser humano.

O uso de efeitos especiais também afetou demais alguns dos atores mais experientes do elenco, especialmente Elba e McKellen. Enquanto o primeiro não consegue imprimir o mínimo de carisma ou personalidade que o tornaram famoso em The Wire, o lendário ator britânico tem sua presença apagada por um personagem praticamente mudo, um velho gato chamado Gus, e sai ainda mais prejudicado por sua voz fraca.

Outro nome completamente subaproveitado, Swift não justifica a grande publicidade feita em torno de sua presença no filme. A estrela pop aparece em apenas um número musical – “Macavity” – e sua entrada na trama é tão sem sentido quanto sua saída.

Por outro lado, Hayward, apesar de praticamente engolida pelos efeitos especiais, tem uma performance memorável. Além de trazer emoção para a música “Ghosts”, suas interações com Jennifer Hudson e Laurie Davidson são impressionantes, mesmo que os pêlos de computação gráfica ainda tragam, como em todas as outras cenas, algum desconforto. Hudson também rouba a cena. Sua interpretação de “Memory” é extremamente poderosa e capaz de emocionar até mesmo os mais espantados com o visual do filme.

De modo geral, a trilha sonora é extremamente bem-feita, com exceção das faixas cantadas por McKellen e Elba. O filme, aliás, funcionaria perfeitamente se fosse distribuído apenas como um álbum. Centrada na gata Victoria (Hayward) se acostumando com a vida na rua após ser abandonada e nas trapaças de Macavity (Elba) para vencer um concurso de talento entre os gatos do grupo “Jellicle” – termo que nunca é explicado -, a trama passa despercebida entre a aparência espantosa dos personagens (que inclui, além dos gatos, ratos e baratas). Ainda assim, algumas sequências tornam o espantoso visual tolerante, como a já citada canção de Hudson ou o bizarro momento em que os protagonistas fazem uso de erva-de-gato.

Soterrar um elenco talentoso de atores, cantores e dançarinos por trás de tanta maquiagem digital é o grande erro de Cats. Mesmo contando com números de dança grandiosos, a apressada criação dos corpos digitais deixa claro que o filme de Hooper seria melhor aproveitado de olhos fechados.

Nota do Crítico
Regular