Casamento Sangrento

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Crítica

Casamento Sangrento

Samara Weaving é peça fundamental em jogo de gato e rato divertido e estiloso

Julia Sabbaga
16.04.2020
14h23
Atualizada em
16.04.2020
14h34
Atualizada em 16.04.2020 às 14h34

Casamento Sangrento tem uma premissa que, em sua superficialidade, poderia apontar para um terror com comentário social. A promissora história de uma noiva humilde que acaba vítima de um ritual satânico de uma família milionária tinha tudo para desenvolver-se em algo mais profundo e metafórico, mas a tarefa não foi realmente alcançada pelos diretores de Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett. Para o seu próprio bem, Casamento Sangrento rapidamente se desenvolve para um terror com comédia divertido e despretensioso, e funciona muito melhor assim. 

Samara Weaving interpreta Grace, uma ingênua noiva que, sem parentes próximos, está ansiosa para se juntar à família de seu novo marido, o herdeiro de uma dinastia de jogos de tabuleiro. No dia do casamento, no entanto, ela descobre o ritual que todo novo membro da família Le Domas precisa passar: um jogo escolhido por sorteio. Quando Grace descobre que o esconde-esconde da família tem consequências mortais, ela precisa arranjar uma maneira de sobreviver à sua noite de núpcias. Se desenvolvendo em um jogo de gato e rato, Casamento Sangrento se baseia em muito sangue, algumas boas piadas e um visual estiloso.

Vale dizer logo de cara que Casamento Sangrento não seria o mesmo sem o brilho de Samara Weaving. A protagonista entrega um tempero fundamental para elevar o terror a outro nível. Com o talento já visível no (muito inferior) A Babá, Weaving aqui tem a oportunidade de demonstrar um carisma e uma interpretação de peso que facilmente pode carregar qualquer produção nas costas. E o alcance da atriz - que passa de uma noiva ingênua à uma sobrevivente inescrupulosa - é admirável. Todo o frescor que ela traz é transmitido à obra de Bettinelli-Olpin e Gillett, não apenas incorporando uma personagem relacionável, por mais absurdo que seja seu contexto, mas também inovando ao entregar um vigor descontraído raramente visto. 

O estilo e direção de Casamento Sangrento também são certeiros. Com exceção, talvez, de um visual escuro demais, o longa tem uma elegância despojada própria e um ritmo divertido de acompanhar, que estabelecem um futuro promissor da dupla de diretores no gênero. Mas onde o filme falha é em seu roteiro, não exatamente pela sua trama, que funciona bem, mas pelos seus personagens. Com exceção de Grace, ninguém na família Le Domas é realmente cativante. 

A irmã atrapalhada interpretada por Melanie Scrofano rende algumas risadas e Andie MacDowell parece desconexa no papel da matriarca, um que nunca faz jus ao seu talento. E enquanto a tia maléfica e caricata interpretada por Nicky Guadagni beira o ridículo, fica nas costas do marido de Grace (Mark O'Brien) ou do patriarca Tony (Henry Czerny) a responsabilidade de injetar alguma profundidade na família Le Domas. Enquanto tudo isso acontece, Adam Brody batalha para não parecer demais o Seth de The O.C em um papel sem grandes exigências.

Felizmente, isso não impede que Casamento Sangrento entregue sustos, sangue e muita aflição durante um desafio de esconde-esconde, e saiba muito bem investir e focar em sua protagonista para arrematar tudo com um toque de esperteza e acidez que é o real trunfo do jogo. Entre boas escapadas e becos sem saída, Casamento Sangrento é bem amarrado e definitivamente divertido, fugindo do lugar comum para acertar na construção de algo refrescante de assistir.

Casamento Sangrento está disponível no catálogo do Telecine Play e também nas plataformas on demand.

Nota do Crítico
Ótimo