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Crítica

Casamento Sangrento 2 evita a repetição com trama maior e melhor que original

Kathryn Newton chega para roubar a cena em sequência saborosa

Omelete
4 min de leitura
19.03.2026, às 06H00.
Samara Weaving em Casamento Sangrento 2: A Viúva (Reprodução)

Créditos da imagem: Samara Weaving em Casamento Sangrento 2: A Viúva (Reprodução)

Não dá para culpar o espectador que revirou os olhos quando ficou sabendo da iminente estreia de Casamento Sangrento 2: A Viúva. O filme original, de 2019, fez um dinheiro modesto nas bilheterias e tinha uma história bem fechadinha dentro de seu estilo irreverente, mas virou candidato a cult contemporâneo e apresentou oportunidade irrecusável para Searchlight Pictures, que andava precisando de um hit. E o cinismo engatilhado em relação à sequência ainda não foi ajudado pelo trailer, que revelava que o novo filme ia basicamente reeditar a premissa do anterior.

Aqui, mais uma vez, Grace (Samara Weaving) é caçada através de uma noite infernal por um grupo de ricaços que tem um pacto com o demônio. A diferença é que A Viúva remove a sátira esperta do longa original (uma extrapolação sangrenta do medo corriqueiro de conhecer a família da pessoa que você ama). Ao invés disso, Grace é sequestrada pelos membros d’O Conselho, um cabal de famílias milionárias que, graças à vitória da moça no jogo de esconde-esconde mortal do primeiro filme, agora disputam a cabeça dela para ganhar a posição de maior poder dentro da organização.

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Parece complicado, mas por sorte Elijah Wood está por aqui para explicar tudo como o personagem identificado apenas como O Advogado, basicamente um dispositivo de exposição de trama, que carrega um livrão embaixo do braço com todas as regras do pacto d’O Conselho com o cabrunhão (mais uma vez nomeado Sr. LeBail, a exemplo do primeiro filme). Tudo armado para mais uma continuação caça-níqueis que tenta metodicamente replicar a magia criativa do original, certo? Bom, na verdade... não.

A grande surpresa de Casamento Sangrento 2: A Viúva é que em nenhum momento o filme transparece motivações marketeiras ou cai na repetição preguiçosa. Ao contrário: os roteiristas Guy Busick e R. Christopher Murphy, repetindo a parceria do primeiro filme, acertam em cheio ao expandir o campo narrativo da trama e, assim, encontrar novos temas para abordar através do artifício de gênero. Se Casamento Sangrento era sobre o terror de conhecer seus sogros, A Viúva é sobre como as pressões do dinheiro e da influência corrompem estruturas familiares e frequentemente quebram laços fraternais.

Entra em cena Faith (Kathryn Newton), irmã de Grace, que nem ao menos foi citada no primeiro filme porque as duas passaram mais de uma década afastadas. Chamada pela polícia como contato de emergência da irmã após os acontecimentos do primeiro filme, ela também se vê enrolada na trama demoníaca d’O Conselho, e o texto vai traçando a evolução tortuosa do relacionamento das duas enquanto elas enfrentam os assassinos que as perseguem. A Viúva não é o tipo de filme de gênero que “pausa tudo por um minuto para falar sério” (não espere um monólogo à la Pearl aqui), mas as rusgas e conexões de Grace e Faith sempre são envolventes, e acima de tudo críveis.

Weaving e Newton, é claro, carregam muito dessa responsabilidade. A primeira retorna ao papel com um senso agudo da determinação de ferro que ela desenvolveu, mas algo ainda mais latente da exaustão física e mental pelo qual ela passa o tempo todo — este filme começa meros segundos após o fim do primeiro, e Grace mal tem tempo de respirar antes de ser sequestrada novamente. Newton, enquanto isso, chega para roubar cenas como a adversária perfeita para Weaving, uma jovem impulsiva que esconde profundo senso de dever e altruísmo por baixo de um sorrisinho de lado. É uma combinação explosiva em tela, que quase faz valer o filme por si só.

Mas esse estofo dramático serve também como plataforma para os diretores Matt Bertinelli-Olpin e Tyler Gillett se divertirem à beça na expansão do universo de Casamento Sangrento. Se o primeiro filme fazia da mansão dos Le Domas um playground letal, aqui os cineastas exploram um cenário maior (o resort da família Danforth, principal ameaça de Grace durante o filme), e encontram nele maneiras exponencialmente criativas de carnificina, com recursos cosméticos infindáveis — o confronto ao som do clássico “Total Eclipse of the Heart” é um favorito deste crítico. Ademais, A Viúva dobra a melhor aposta estética do original, que era rimar o barroco e o mundano na construção de seus vilões podres de ricos que venderam a alma para o demônio.

Enfiar esses antagonistas calcados numa banalidade memética marcadamente contemporânea em meio a cenários elaborados para rituais satanistas antiquíssimos não só é divertido, como serve para elevar a estatura das heroínas. Aqui, Grace e Faith emergem como a prova imperfeita (machucadas, ensanguentadas, ressentidas, mas vivas e juntas) de que é possível ser bom e corajoso em tempos de mesquinhez. Elas são a espinha dorsal do filme, principalmente porque ninguém ao seu redor parece ter uma. E Casamento Sangrento: A Viúva, à moda delas, se mostra muito melhor do que parecia ser.

Nota do Crítico

Casamento Sangrento 2: A Viúva

Ready or Not: Here I Come

2026
108 min
País: EUA
Direção: Matt Bettinelli-Olpin, Tyler Gillett
Roteiro: Guy Busick, R. Christopher Murphy
Elenco: Nestor Carbonell, Shawn Hatosy, Kevin Durand, David Cronenberg, Samara Weaving, Kathryn Newton, Elijah Wood, Sarah Michelle Gellar
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