Não perca a 2ª temporada de Paradise no Disney+

Icone Conheça Chippu
Icone Fechar
Filmes
Crítica

Criativo e com coração; Cara de Um, Focinho do Outro é o melhor da Pixar em anos

Nova animação do estúdio de Toy Story imagina humana que se infiltra entre animais

Omelete
5 min de leitura
02.03.2026, às 13H00.
Vale a pena ver? Cara de Um, Focinho do Outro é o melhor da Pixar em anos

Créditos da imagem: Pixar

Por anos, o elemento mais comum em animações da Disney – e algo recorrente nos filmes da Pixar – foi o conceito dos animais falantes. Ainda que os brinquedos sejam mais famosos, as sociedades de criaturas antropomórficas são, talvez, o “mundo secreto” mais comum nessas histórias, mas só agora, no divertidíssimo Cara de Um, Focinho de Outro, é que a tensão inerente a essa ideia foi abordada. O que acontece quando um humano descobre esse universo e se torna capaz de se comunicar com os bichos?

A pessoa no centro dessa aventura é Mabel (Manu Macedo), uma jovem universitária. Quando criança, ela se apaixonou pela fauna de Barra do Castor quando a avó, com quem viveu por anos e cuja perda ainda é recente, lhe mostrou a paz que existe ao se encontrar na natureza. Em particular, as duas gostavam de sentar e contemplar o mundo natural numa clareira povoada por castores. Agora, esse ambiente está prestes a ser dinamitado para a construção de uma nova avenida – a grande empreitada do primeiro mandato do Prefeito Jerry (Nestor Chiesse), um político que pouco se importa com o impacto ecológico de suas obras e só pensa na iminente reeleição. 

Omelete Recomenda

A única esperança de Mabel é trazer os animais de volta  Eles, misteriosamente, deixaram a clareira e a floresta ao seu redor para viverem num lago montanha acima, e não parecem interessados em voltar. Felizmente para a garota, a oportunidade perfeita de investigar esse sumiço surge quando ela descobre que sua professora está desenvolvendo o “Salto”, um mecanismo para colocar a mente de humanos em robôs idênticos aos animais. Desprezando os pedidos de cuidado da tutora, ela logo se joga no corpo de um castor e vai em direção a seus colegas de espécie.

Vale a pena ver? Cara de Um, Focinho do Outro é o melhor da Pixar em anos
Pixar

Daí em diante, Cara de Um, Focinho de Outro toma rumos inesperados, que só reforçam a criatividade do diretor Daniel Chong e do roteiro que ele escreveu ao lado de Jesse Andrews. Os animais, Mabel e a equipe de sua professora descobrem, têm reis, e os habitantes de Barra do Castor não deixaram aquela clareira por livre e espontânea vontade. O Prefeito Jerry armou uma maneira de espantá-los. Quando a garota/castor toma medidas heróicas para que eles possam retornar a seu habitat, o conselho de monarcas – que inclui o bondoso George (Junior Nannetti), rei dos mamíferos, e a vingativa Rainha dos Insetos (Renata Sorrah) – percebe o avanço dos humanos e decide organizar um contra-ataque letal. Mabel, então, se vê presa entre os dois mundos.

Enquanto a história de Cara de Um, Focinho do Outro salta de cabeça em lugares para lá de imprevisíveis, é um deleite ver como Chong e Andrews estão dispostos a se colocarem em becos narrativos sem saída para então se obrigarem a encontrar rotas de fuga criativas, levando o filme a uma série de surpresas. Por mais que Chong faça como alguns diretores de títulos recentes da Pixar e insira uma boa parcela de experiência pessoal no longa, a maior força de Cara de Um, Focinho de Outro está em sua capacidade constante de inventar, algo que lembra as melhores épocas do estúdio. O inusitado se torna uma chave, inclusive abrindo uma série de oportunidades para humor, já que nunca sabemos o que esperar.

Ainda que seja exclusivamente para fins cômicos, é curioso ver que o filme tem uma dose de terror sci-fi, por exemplo. Chong abraça sem reservas as estranhezas da troca de corpo e das interações de animais e humanos com a tecnologia, adicionando a Cara de Um, Focinho de Outro facetas raramente vistas em animações hollywoodianas.

Essa coragem, porém, também leva o filme a seus problemas. Não vamos entrar em spoilers, mas por ser um produto Disney, Cara de Um, Focinho do Outro busca redimir e perdoar em instâncias onde a moralidade não consegue ser justificada. Há propostas de confiar em políticos que vêm, francamente, num momento onde é difícil comprá-las. Na mesma linha, a ousadia de Chong em conduzir o filme deixa sua história grande demais para seu próprio bem. Há eventos aqui que, sem exageros, deviam alterar drasticamente o foco da humanidade, e esses riscos são varridos para baixo do tapete sem muita cerimônia.

A abordagem, porém, ainda é bem-vinda. Trazendo mais frutos do que malefícios, a disposição do filme em encarar cada situação da maneira mais interessante possível transforma cada personagem num poço repleto de potencial. A Rainha dos Insetos gera um dos momentos mais chocantes e engraçados de todo o catálogo da Pixar; a rebelião dos animais ganha ares de perigo palpável; George, imediatamente um candidato ao Hall da Fama de figuras mais legais do estúdio, é uma fonte constante de fofura e carinho, e sua relação com Mabel sustenta o núcleo emocional de Cara de Um, Focinho do Outro mesmo quando tudo ao redor dos dois é caos.

Nesse caos, aliás, Chong também encontra oportunidades para fugir do esperado na animação. Por exemplo, a escolha de mudar o design dos animais – que possuem feições humanizadas quando estamos no robô-castor, mas voltam a parecer bichos comuns quando voltamos para humanos — se revela inspirada, contribuindo para o fator fofura e, por fim, leva a uma conclusão emocionante. Também interessante é como isso permite que ele demonstre os predadores, como cobras, como verdadeiramente perigosos quando surge a necessidade de aumentar a tensão.

Vale a pena ver? Cara de Um, Focinho do Outro é o melhor da Pixar em anos
Pixar

É essa miríade de ideias que se revela como principal motivo para recomendar Cara de Um, Focinho do Outro. Por muito tempo, a Pixar pareceu se prender aos temas fortes de seus clássicos como fundamento para lançamentos mais recentes, e o resultado disso foi pra lá de irregular. O que Chong e seus colaboradores identificaram é a necessidade de retornar ao surto de imaginação que por anos fez do estúdio uma marca associada à qualidade. Cara de Um, Focinho do Outro tem muito a dizer sobre diferenças, urbanização e superpopulação, mas tudo isso está empacotado numa apresentação das mais frenéticas, inusitadas e cativantes que saíram dos escritórios da Pixar em um bom tempo.

Webstories

Nota do Crítico

Cara de Um, Focinho do Outro

Hoppers

2026
105 min
País: EUA
Classificação: LIVRE
Direção: Daniel Chong
Roteiro: Daniel Chong, Jesse Andrews
Onde assistir:
Oferecido por

Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a nossa Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados e cookies para as finalidades ali constantes.