Capitão América - O Primeiro Vingador | Crítica

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Capitão América - O Primeiro Vingador | Crítica

Primeiro herói Marvel ganha filme mais preocupado com a história do que em ser parte de franquia

Érico Borgo
28.07.2011
17h50
Atualizada em
29.06.2018
02h34
Atualizada em 29.06.2018 às 02h34

Capitão América - O Primeiro Vingador

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Quinto longa do Marvel Studios, Capitão América - O Primeiro Vingador é a última produção da empresa antes do filme-evento Os Vingadores.

A informação é mais relevante do que parece, já que finalmente o Universo Marvel nas telonas pode ficar livre da necessidade crescente de amarrar suas mitologias, algo que recentemente tem parado a história que está sendo contada para fazer teasers e mais teasers do que vem a seguir.

Aos olhos de fã, a iniciativa era ótima, mas quando analisada em retrospecto, fica claro que a Marvel começou a pesar a mão nessa amarração em detrimento da narrativa isolada. O que começou como inserções divertidas ao final dos filmes, recompensas aos leitores de longa data, acabou tomando o palco principal - o que só agrada totalmente a quem entende o cinema como plataforma de franquias.

Com todas as peças no tabuleiro para apresentar o filme de 2012, só faltava introduzir o rei, o primeiro super-herói da Marvel. E a ambientação na Segunda Guerra Mundial de Capitão América - O Primeiro Vingador dá ao filme uma liberdade que até então só havia sido vista nos filmes do estúdio em Homem de Ferro.

Sem a necessidade de empurrar agentes da S.H.I.E.L.D. ou cenas irrelevantes de heróis que aparecerão futuramente, o diretor Joe Johnston pôde explorar como se deve a história de Steve Rogers: centrando-a na jornada do personagem e seus aliados próximos.

A adaptação dos quadrinhos criados por Joe Simon e Jack Kirby em 1941 funciona mais como uma aventura inspirada nos clássicos de Steven Spielberg do que um filme de super-herói convencional. Os Caçadores da Arca Perdida vem à memória mais de uma vez e até a fotografia é parecida. Não custa lembrar que Joe Johnston despontou como técnico de efeitos na IL&M (trabalhando em Star Wars e no próprio Caçadores da Arca Perdida) e herdou Jurassic Park de Spielberg no terceiro longa dos dinossauros.

As referências ao Universo Marvel também são melhor trabalhadas (pisque e você perderá um certo herói da editora durante a World's Fair ou a piadinha com o visual de Arnim Zola nos quadrinhos...), ainda que se gaste tempo demais trabalhando o pai do Homem de Ferro, Howard Stark (Dominic Cooper), em detrimento da relação entre Steve e Peggy Carter (Hayley Atwell) ou Bucky Barnes (Sebastian Stan), que seriam mais relevantes dramaticamente. Os encontros e o confronto final entre o Capitão América e seu inimigo, o Caveira Vermelha (Hugo Weaving), também carecem de peso e sofrem o estigma do futurismo Marvel. São subaproveitadas e não apresentam desfecho, apenas um adiamento para outro filme.

Johnston também poderia ter dedicado-se um pouco mais às cenas de guerra. A Hidra, dissidência tecnológica dos nazistas, afinal, enfrenta soldados aliados em batalhas que ficam devendo em escala. Já que tinha a Segunda Guerra à disposição e seguia à risca a cartilha de Spielberg (que inclui uma trilha sonora a la John Williams), algumas cenas mais dramáticas e épicas, no tom de O Resgate do Soldado Ryan, teriam sido bem-vindas.

Equilibrando a balança está Chris Evans, que viveu o Tocha Humana nos dois filmes do Quarteto Fantástico, e realiza aqui seu melhor trabalho. Deixa de lado a canastrice e abraça a oportunidade de viver o ícone da Marvel. A tecnologia de O Curioso Caso de Benjamin Button, que deixou o ator franzino para o papel, é irretocável - e mesmo depois que o personagem passa por seu aprimoramento físico, com o soro do Supersoldado, é o Steve Rogers corajoso e humilde que continuamos acompanhando. Não há um vislumbre sequer da sobrancelha caricata e o sorriso de canto de boca que Evans encontrou para viver seus personagens anteriormente. Seu trabalho é especialmente apreciado na excelente sequência dos Bônus de Guerra, em que o herói é usado como garoto-propaganda para financiar a participação dos EUA no conflito.

O bom elenco também conta com Stanley Tucci, que dá ao Dr. Abraham Erskine um carisma inexistente nos quadrinhos, e Tommy Lee Jones, cujo General Chester Phillips é responsável pelos pouquíssimos - e muito bem colocados - alívios cômicos.

Considerado um dos mais difíceis filmes da Marvel pelo sentimento anti-americano mundial (é no mercado internacional que os blockbusters têm obtido seus grandes lucros atualmente), Capitão América - O Primeiro Vingador consegue desviar-se desse tema delicado (um herói que veste a bandeira dos EUA), apresentar com sucesso o personagem e também amarrá-lo aos demais heróis. Mas o faz de forma a privilegiar o próprio desenvolvimento de Steve Rogers, deixando a sensação de franquia em segundo plano.

Com o palco montado para Os Vingadores e o público agora já acostumado ao funcionamento da Marvel no cinema, que o filme sirva como uma nova fase para o estúdio: com heróis isolados bem desenvolvidos em histórias próprias e os grandes crossovers focados em eventos sazonais, como o filme da superequipe. Não é assim que funcionam as revistas da Marvel há décadas, afinal?

Leia entrevistas e notícias do filme no especial Capitão América - O Primeiro Vingador

Capitão América - O Primeiro Vingador | Cinemas e horários

Nota do Crítico
Bom