Campo do Medo

Créditos da imagem: Campo do Medo/Netflix/Divulgação

Filmes

Crítica

Campo do Medo

Diretor de O Cubo retorna para ambiente claustrofóbico, mas sem a mesma potência

Julia Sabbaga
04.10.2019
15h17

Campo do Medo, conto de Stephen King e Joe Hill adaptado para a Netflix por Vincenzo Natali, diretor de O Cubo (1997), é um filme simples. Uma premissa básica nunca foi problema, principalmente no gênero do terror, onde a construção da tensão pode ser mais importante que a trama. Infelizmente, por mais que Natali já tenha demonstrado sua habilidade em criar suspense em um ambiente claustrofóbico, desta vez ele passa longe de sustentar um filme nisso.

Entregando uma das premissas mais básicas de Stephen King, Campo do Medo acompanha uma mulher grávida e seu irmão, que atendem o pedido de socorro de um garoto de dentro de um campo de grama, e ao se aprofundar no gramado, se percebem em um labirinto complexo e possivelmente sem saída. Lá dentro, os dois encontram também o pequeno Tobin (Will Buie Jr.) e seu pai, Ross (Patrick Wilson), um sujeito afetado pelas artimanhas da natureza local.

A armadilha sem saída do campo de grama poderia entregar um suspense intrigante, mas Campo do Medo rapidamente abre mão de se prolongar em seus personagens. Sem tomar tempo para criar empatia, as revelações de possibilidades e paradoxos que se encontram dentro do gramado tem seu impacto minimizado, e a vontade de entregar um suspense real não se concretiza. O interessante é que Campo do Medo não é um filme curto, e poderia ter investido em seus protagonistas para entregar um sufoco real. Ao invés disso, ele rapidamente se torna repetitivo e arrastado, mostrando um desequilíbrio narrativo cansativo. 

Em termos de desenvolvimento da história, Natali acerta na evolução da tensão, que tem um crescimento consistente do começo ao fim. As atuações de Campo do Medo também não deslizam. Nesse aspecto, a protagonista Laysla De Oliveira é certeira, mas quem chama atenção é Wilson, que entrega um desequilíbrio cativante, e o pequeno Buie Jr., que se sustenta tanto como figura aterrorizante como garoto indefeso. Tudo isso se complementa com uma fotografia digna e bons delírios sonoros para criar a ambientação do local, mas isso não é suficiente para fazer com que a história aguente sua uma hora e quarenta minutos.

O esforço da produção e o potencial de Campo do Medo são claros, e fazem do filme da Netflix apenas mais decepcionante. Existe algo valioso aqui, mas o elemento se perde na superficialidade das figuras e duração prolongada. 

Nota do Crítico
Regular