Filmes

Crítica

Me Chame Pelo Seu Nome | Crítica

Filme de Luca Guadagnino equilibra boas atuações, roteiro sincero e câmera precisa

Natália Bridi
07.09.2017
21h29
Atualizada em
19.01.2018
11h33
Atualizada em 19.01.2018 às 11h33

As esculturas romanas que ilustram os créditos de abertura de Call Me By Your Name abrem caminho para os dois sentimentos que iniciam o filme do italiano Luca Guadagnino: desejo e admiração. É assim que Elio (Timothée Chalamet) observa a chegada de Olivier (Armie Hammer), o novo assistente de seu pai (Michael Stuhlbarg), na casa da família na Itália, no verão de 1983.

A câmera acompanha o olhar de Elio, fazendo de Hammer o homem perfeito. Sua voz imponente e seu inglês articulado completam o retrato idealizado, como se ele fosse uma fantasia trazida à vida. Guadagnino torna desejo e curiosidade sinônimos, estudando cada movimento de Olivier, cada investida de Elio para desbravar a puberdade.

Em nenhum momento esse desejo é considerado proibido. Nascido em uma casa multicultural, que fala sem engasgar em inglês, francês, italiano e alemão e celebra sem discriminar tradições judaicas e cristãs, Elio vê o mundo como uma mistura de tudo. Daí a fluidez no despertar da sua sexualidade, sem rótulos a serem questionados, apenas a urgência para satisfazê-la.

Ainda que Olivier seja uma figura idealizada, sua relação com Elio não é. Tudo acontece de forma desengonçada, como a própria adolescência caminha torta para a vida adulta, sem saber direito o que está fazendo. É o que dá ao roteiro de James Ivory (adaptando o romance de André Aciman) uma verdade rara, que ri dos jogos de sedução, mas não os despreza.

Call Me By Your Name equilibra boas atuações, roteiro sincero e uma câmera precisa para contar uma jornada de amadurecimento espontânea, que fala de sexo com naturalidade, sendo erótico e ao mesmo tempo corriqueiro. Sexo é uma parte da vida, que pode ser simples ou complicada, com ou sem consequências, mas nenhum desejo é satisfeito sem antes ser vivido. 

Nota do Crítico
Excelente!