Cadáver

Créditos da imagem: Cadáver/Sony Pictures/Divulgação

Filmes

Crítica

Cadáver

Terror esquecível de exorcismo vai além ao tentar debater ansiedade e depressão das piores formas possíveis

Arthur Eloi
17.12.2018
19h31

Assim como o restante do cinema, o terror tem as suas modas e obsessões passageiras que resultam numa temática ou formato sendo explorados simultaneamente. Durante o começo dos anos 2000, filmes de exorcismo e possessão demoníaca eram a tendência, indo desde inúmeros derivados duvidosos de O Exorcista até títulos originais como O Exorcismo de Emily Rose (2005). Mesmo que o ápice tenha passado, todo ano tem um ou dois filmes do tipo - e o de 2018 é Cadáver.

A trama acompanha Megan (Shay Mitchell), uma ex-policial que aceita o turno da noite em um necrotério, como forma de lidar com os traumas da sua antiga profissão. Seu expediente é então atormentado por um cadáver em específico: Hannah Grace (Kirby Johnson), que morreu durante um intenso exorcismo. A guarda noturna então precisa sobreviver às manifestações do espírito do mal.

O filme reluta para mostrar seu propósito. Após a abertura que mostra a morte de Grace, o primeiro ato é inteiramente dedicado à Megan, mostrando que ela está em uma fase de transição na vida após passar por um término de namoro e uma situação traumática como policial. O novo emprego serve como uma forma de controlar sua ansiedade, e é aí que a história se torna problemática.

Toda a dinâmica muda quando o cadáver passar a perturbar a protagonista, utilizando todos os clichês do terror blockbuster para tornar-se o mais genérico o possível. Entre os vários jumpscares gratuítos e tentativas de humor, o subtexto tenta criar uma relação entre Hannah e Megan… fazendo isso através das condições psicológicas que ambas compartilham. O que não é nada sutil, já que o filme deixa bem claro que todo o motivo pela garota tornar-se um demônio vem da coitada sofrer com ansiedade e depressão - assim como a protagonista. Por esse aspecto, Cadáver soa como uma autoajuda barata - e levemente ofensiva -, como os desinformados que acreditam que a única forma de vencer essas doenças é com motivação, exercício ou qualquer coisa do tipo.

Quando não está tentando se mostrar entendido de problemas psicológicos, Cadáver apresenta um terror medíocre. As manifestações iniciais de Grace intrigam, mas o longa sempre interrompe a tensão com personagens secundários arriscando piadinhas ou a protagonista simplesmente dando de ombros e indo para outro lugar. Quando a ameaça se agrava, as aparições da antagonista caem em dois extremos: são mostradas - sem sutileza alguma - borradas no canto da tela; ou então são colocadas em foco, destacando o CG de baixa qualidade do monstro. Ambos os casos são reutilizados à exaustão, assim como o "ataque" de Grace - que consiste em possuir os membros da vítima, abrir seus braços e gritar enquanto a câmera treme até que a pessoa morra. Nenhuma das mortes tem impacto, e a repetição beira o cômico.

Logo de cara, Cadáver já tem muito a entregar por estar em um gênero onde praticamente tudo já foi feito. O filme lida com essa desafio simplesmente desistindo e entregando mais do mesmo - só que ainda pior, já que tenta debater algo que claramente não entende. No fim das contas, 2018 precisava de seu Terror Esquecível de Exorcismo - e nisso o longa se sai muito bem.

Nota do Crítico
Ruim