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Brooklyn | Crítica

O que você quer fazer com o resto da sua vida?

Omelete
2 min de leitura
Natália Bridi
12.02.2016, às 11H47
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H43
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H43

O futuro de Eilis Lacey (Saoirse Ronan) não cabe na pequena cidade irlandesa de Enniscorthy. Seu destino está do outro lado do Atlântico, no bairro do Brooklyn, em Nova York. Terra de oportunidades, do sonho americano, para ela e tantos outros imigrantes.

Narrando essa busca por realização, o diretor John Crowley e o roteirista Nick Hornby (baseado no livro de Colm Tóibín) se tornam cúmplices de Eilis. A acompanham de perto quando sua determinação pela mudança começa a ruir logo nos primeiros momentos no navio ou enquanto a saudade de casa, da mãe e da irmã, a impedem de aproveitar as chances da sua nova vida. E, delicadamente, desdobram sua transformação quando trabalho, estudos e um encanador italiano (Emory Cohen) aumentam a distância entre o Brooklyn e a Irlanda.

Essa conexão entre os “narradores” e a protagonista é o que torna o filme especial (justificando sua longa carreira do Festival de Sundance do ano passado até o Oscar deste ano). A câmera de Crowley, somada às cores de cartão postal dos anos 1950 da fotografia de Yves Bélanger, sabe como destacar Eilis, centralizando sua imagem e captando todas as nuances da bela atuação de Ronan. São olhares e pequenas mudanças de tom que revelam dúvidas, medos e alegrias para gerar a necessária empatia entre espectador e heroína.

Hornby, famoso por livros/filmes como Alta Fidelidade e Um Grande Garoto, cerca Eilis de um estudo humano, com personagens ricos e variados, capazes de mostrar profundidade mesmo com pouco tempo em cena (graças também ao elenco bem escolhido). Assim, na virada do roteiro, quando Eilis precisa visitar a sua cidade natal e uma vida que antes inexistia começa a se concretizar em Enniscorthy, o filme evita de se tornar um dramalhão ou um triângulo amoroso adolescente. A balança não pende entre o certo e o errado. Existem apenas possibilidades, tanto para o velho e seguro, quanto para o novo, com suas promessas e riscos.

Não há uma resposta, mas é preciso escolher um caminho e é aí que Brooklyn se conecta fácil com a história de qualquer jovem que esteja prestes a assumir a própria vida. Sinceridade que emoldura deliberadamente a jornada de Eilis como uma fábula moderna de inspiração, mas evita o discurso simplificado da autoajuda. 

 

Brooklyn (2015)
Brooklyn
Brooklyn (2015)
Brooklyn

Ano: 2015

País: Irlanda, Inglaterra, Canadá

Classificação: LIVRE

Duração: 105 min

Nota do Crítico
Ótimo

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