Jackson A. Dunn em Brightburn - Filho das Trevas

Créditos da imagem: Brightburn - Filho das Trevas/Sony Pictures/Divulgação

Filmes

Crítica

Brightburn - Filho das Trevas

Terror produzido por James Gunn peca na direção mas surpreende e diverte ao criar uma versão muito violenta do Superman

Arthur Eloi
23.05.2019
19h16
Atualizada em
23.05.2019
19h34
Atualizada em 23.05.2019 às 19h34

Frequentemente nas HQs os super-heróis são retratados como exemplos máximos de bondade, bravura e boa conduta na sociedade. O maior exemplo disso é o Superman, cuja empatia pela raça humana dá propósito para sua incansável luta contra os vilões que querem a corromper. É justamente isso que torna o personagem tão rico para conflitos que testam essa persistência, e também para tramas que desvirtuam isso por completo. Brightburn - Filho das Trevas é um desses casos.

A trama segue a risca a origem do herói da DC Comics: Tori (Elizabeth Banks) e Kyle (David Denman) Bryer, casal do interior do Kansas, adotam um bebê alienígena após encontrá-lo numa nave caída na floresta próxima à sua casa, e o criam como se fosse deles até que, ao completar 12 anos de idade, a criança começa a desenvolver super-poderes e percebe que é diferente dos demais. Aqui, ao invés de um garoto de ouro destinado a ser o salvador da humanidade, Brandon Breyer (Jackson A. Dunn) se vê como superior àqueles que o zoam e fazem mal - e então decide vestir a capa para garantir que as provocações parem.

Conceitualmente, é uma ideia que mostra o potencial de reinterpretar clássicas histórias, mesmo que com propósito de distorcê-las - abordagem que se torna ainda mais especial quando vista como uma reinterpretação da mensagem e linguagem visual de Homem de Aço (2012), do diretor Zack Snyder (que, por sinal, é amigo próximo e ex-colaborador do produtor James Gunn). Infelizmente o filme não se aprofunda tanto na narrativa, colocando a transformação de Brandon nas costas de bullying e mal comportamento infantil, sem desenvolver seu lado sombrio. Seria mais interessante se fosse algo gradual, explorando as consequências de um período tão turbulento da vida - cheio de incertezas, mudanças e inseguranças - em alguém que concentra tanto poder nas mãos.

Mesmo assim, a execução é boa o bastante. A direção de David Yarovesky (The Hive) é precária, sem estilo e com estética barata, mas o ritmo é afiado e não deixa o espectador ficar preso no visual sem graça, por conta de boa variedade de situações que exploram os poderes de Brandon. Mesmo com o CG de baixa qualidade dominando a experiência, o filme brilha nos momentos que trata as habilidades do garoto com sutileza, investindo em planos que não destacam tanto os defeitos, e também na hora de demonstrar sua capacidade destrutiva com inesperada e impactante violência gráfica. Isso resulta em mortes grotescas, como por exemplo um “acidente” de carro em que o volante desfigura a mandíbula de um personagem, ou então outra em que uma garçonete tem seu olho perfurado por cacos de vidro - ambas mostradas em sangrentos detalhes em cenas de morte marcantes (ainda que poucas).

Brightburn é um filme cheio de problemas, alguns difíceis de contornar, mas que não chega a ser ruim: apesar da escrita fraca e ocasionalmente redundante, tanto Banks quanto o jovem Dunn entregam atuações decentes como uma mãe capaz do inimaginável para proteger o filho, e um garoto tentando lidar com a própria inocência e confusão através da agressão, respectivamente. Com tanto nas mãos, é uma pena que não atinja o máximo de sua capacidade, mas mesmo assim Filho das Trevas diverte pela originalidade da abordagem e deixa o espectador imaginando versões sombrias e verdadeiramente violentas para todos os demais heróis.

Nota do Crítico
Regular