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Brasil Animado | Crítica

Longa animado desbrava o 3D mas escorrega no roteiro

Carina Toledo
20.01.2011
20h00
Atualizada em
07.11.2016
14h06
Atualizada em 07.11.2016 às 14h06

Brasil Animado (2011) é o primeiro filme brasileiro a ser captado e exibido em 3D estereoscópico, pioneirismo tecnológico que deve servir de apelo para atrair a plateia ao cinema. De fato, deve-se reconhecer o esforço de superação que foi empregado pela diretora Mariana Caltabiano e sua equipe na realização do projeto, especialmente considerando todas as dificuldades que cercam a produção cinematográfica nacional.

A proposta da história é relativamente simples: dois personagens animados viajando pelo Brasil em busca do "Grande Jequitibá Rosa". Brasil Animado transforma-se assim em uma espécie de guia turístico 3D, mostrando as nossas maravilhas naturais em três dimensões e misturando filmagem live-action com animação. No entanto, efeitos 3D não sustentam um filme por si só - precisam trabalhar em função do roteiro, que é justamente o ponto mais sensível de Brasil Animado.

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Os dois personagens principais, os cachorros falantes Stress e Relax, são bastante carismáticos e têm muito potencial cômico - mérito da dublagem de Eduardo Jardim -, mas acabam mal aproveitados em uma história que tem preocupação muito mais educacional do que de entretenimento. Na tela são apresentadas informações bastante primárias sobre cada região do Brasil, que parecem vindas diretamente da cartilha de Estudos Sociais. A narrativa é linear ao extremo e, a cada parada dos personagens em uma nova cidade, repete-se a mesma estrutura, o que acaba tornando-se enfadonho.

Esta característica do roteiro, no entanto, é condizente com o público-alvo das demais produções da diretora, focadas em crianças muito novas, como o desenho Gui & Estopa e seu longa As Aventuras de Gui & Estopa, que já contava com os personagens Stress e Relax. Ainda assim, vale o questionamento se não seria mais interessante pensar um roteiro mais abrangente visando um público maior. Considerando também a vasta gama de entretenimento infantil disponível para as crianças de hoje - das rebuscadas animações da Pixar aos seriadinhos live-action, passando pelos desenhos japoneses e frenéticas séries das manhãs na telinha -, fica claro que as crianças desta primeira década dos anos 2000 já estão acostumadas a narrativas mais elaboradas, o que evidencia uma certa ingenuidade de Brasil Animado.

Roteiro à parte, a determinação a ser o primeiro filme nacional captado em 3D coloca Brasil Animado, orçado em apenas R$ 3 milhões, como um marco do cinema brasileiro, inserindo nossa produção na tendência dos filmes 3D, já consolidada em Hollywood. E, agora que já exploramos a técnica, podemos seguir em frente, em busca da grande história a ser contada.

Brasil Animado | Cinemas e horários

Nota do Crítico
Regular