Foto promocional de Boy Erased

Créditos da imagem: Boy Erased/Focus Features/Divulgação

Filmes

Crítica

Boy Erased

Filme de Joel Edgerton narra história dramática sobre ignorância e aceitação

Natália Bridi
11.09.2018
20h01
Atualizada em
13.09.2018
10h13
Atualizada em 13.09.2018 às 10h13

O homem criou a religião na busca por explicações para o que é incapaz de compreender. "Qualquer dúvida que tiverem, garanto que vão encontrar a resposta aqui", diz o pastor Marshall Eamons durante um de seus sermões. Ironicamente, por conta da sua interpretação das respostas, ele não entendia o filho: um garoto de 18 anos, educado, atlético, com talento para escrever e gay.

No seu segundo filme como diretor, Joel Edgerton explora a jornada de Jared (Lucas Hedges), forçado pelo pai a frequentar um "acampamento" de correção sexual, criado para entender o que há de errado com esses jovens perfeitamente normais e colocá-los novamente no caminho certo. No comando desse "programa de recuperação" está Victor Sykes (Edgerton), um homem que "se livrou dos seus pecados" e agora exorciza os dos outros.

Com uma história dolorosa em mãos, baseada nas memórias de Garrard Conley, Edgerton é econômico, centrado em tirar o máximo das atuações do que em criar um estilo narrativo. No centro do furacão, Hedges encarna todas as dúvidas de um jovem em busca de si mesmo, enquanto Nicole Kidman e Russell Crowe dão todas as camadas para que os pais de Jared não sejam monstros, apenas humanos que precisam superar a sua ignorância.

O método do acampamento é perverso. Uma sessão de tortura em busca de respostas que o torturado não tem para dar. Nesse sentido, Edgerton, que também assina o roteiro, explora todas as ramificações da falta de aceitação. Sykes tortura os outros por não entender a si mesmo, porque a resposta que recebeu dizia que havia algo de errado com ele. A falta de informação se multiplica: ignorância alimenta preconceito, que alimenta intolerância.

O título - Menino Apagado, em tradução livre - sintetiza o processo vivido por Jared. Na tentativa de ser a resposta certa para o pai, ele gradualmente se anula. Uma dor que não precisaria ser vivida se o argumento mais simples fosse compreendido desde o início: amar, a si mesmo e ao outro.

Nota do Crítico
Ótimo