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Crítica

Borg/McEnroe | Crítica

Ágil e bem construída, história da lendária partida de tênis vai muito além do esporte

Natália Bridi
08.09.2017
08h58
Atualizada em
08.09.2017
09h11
Atualizada em 08.09.2017 às 09h11

“O tênis usa a linguagem da vida. Vantagem, serviço, falta, tempo, amor, os elementos básicos do tênis são aqueles de uma existência diária, porque cada partida é uma vida em miniatura”. A frase de André Agassi que abre Borg/McEnroe estabelece que esse não é apenas um filme sobre uma lendária partida de tênis. A final do Torneio de Wimbledon em 1980 foi além das máximas do esporte - vitória ou derrota - e mudou profundamente o sueco Björn Borg e o americano John McEnroe.

Como em uma partida que obriga os olhos do espectador a irem de um lado para o outro para acompanhar o curso da bola, o roteiro bem estruturado de Ronnie Sansahl e a montagem engenhosa de Per K. Kirkegaard e Per Sandholt movimenta uma narrativa não-linear sem perder o foco. As vidas de Borg e McEnroe são reveladas aos poucos, mas não como meros flashbacks. A história é encadeada, com um movimento como consequência do outro.

As atuações de Sverrir Gudnason (Borg) e Shia LaBeouf (McEnroe) garantem credibilidade para a profundidade psicológica a que o filme de Janus Metz se propõe. Retratados como opostos pela mídia - a frieza sueca e a rebeldia americana - os dois atores vão além dos diálogos para construir personagens tridimensionais. Quando chega a hora da derradeira partida, recriada com uma ansiedade autêntica do esporte, não existem mais mocinhos e vilões.

Tudo vai além das aparências, o que torna Borg/McEnroe acessível mesmo para quem não entende nada de tênis. Seu objetivo é apenas falar a verdade: o seu maior adversário é sempre você mesmo.

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Nota do Crítico
Excelente!