Bons Meninos

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Filmes

Crítica

Bons Meninos

Produção de Seth Rogen e Evan Goldberg explora abordagem de Superbad, só que com crianças de sete anos

Thiago Romariz
14.03.2019
19h38
Atualizada em
25.03.2019
16h29
Atualizada em 25.03.2019 às 16h29

Seth Rogen e Evan Goldberg exploraram a comédia dos jovens adultos em diversos níveis. Em Superbad mostraram o fim da escola, em Vizinhos o conflito da vida adulta com a faculdade e em Festa da Salsicha exploraram todo tipo de absurdo cômico possível com alimentos fálicos ou não. Agora, eles promovem a estreia dos diretores Lee Eisenberg e Gene Stupnitsky em um filme que usa o mesmo estilo de humor só que protagonizado por crianças de sete anos. Sexo e drogas, como sempre, são os temas mais presentes, mas dessa vez eles ganham uma abordagem mais branda, porém tão engraçada quanto seus antecessores.

A história de Bons Meninos coloca um trio de garotos formado pelos carismáticos Keith L. Williams, Brady Noon e Jacob Tremblay - mais famoso dos componentes do elenco - em uma aventura para ir a uma festa onde o primeiro beijo deles pode acontecer. No meio disso, eles se envolvem com meninas mais velhas, descobrem brinquedos sexuais sem saber e esbarram em policiais dentro de uma loja de bebidas. As semelhanças com Superbad são imediatas, assim como a dinâmica entre os protagonistas.

A diferença está na construção da história e no background de cada um. Bons Meninos não cria uma ligação legítima com todos os meninos de primeira devido a uma narrativa pouco fluida, super blocada e que se assemelha muito a um esquete de programa de tv. Até o segundo ato, o filme se pega nas ótimas piadas soltas que se alongam sem nenhum contexto dentro da vida dos personagens - elas estão lá e fazem rir pelo carisma e pela figura das crianças, afinal, só deles falarem palavrões (e confundirem algum deles) a situação se torna engraçada.

O acerto do roteiro está em misturar a inocência dos trio e tratá-la como sabedoria. O jeito que os garotos falam sobre sexo, a certeza com que rejeitam drogas ou tentam se provar mais adultos é encantador e ao mesmo tempo hilário. A química entre os três demora a engrenar devido a uma direção que não consegue fazer as situações fluírem com maestria, mas no fim das contas funciona. E assim como Festa da Salsicha, esse filme toca em temas como abuso, minorias e feminismo sem panfletagem, usando um texto ácido e cirúrgico para fazer entretenimento a partir disso.

Nota do Crítico
Ótimo