Filmes

Crítica

Blue Jasmine | Crítica

Woody Allen elege Cate Blanchett como sua nova musa problemática

Marcelo Hessel
05.10.2013
18h10
Atualizada em
29.06.2018
02h37
Atualizada em 29.06.2018 às 02h37

Embora tenha chegado com um par de anos de atraso aos efeitos da crise econômica, Woody Allen tira de seu elenco principal em Blue Jasmine, particularmente de Cate Blanchett, atuações que resumem o sentido tragicômico da ruína dos especuladores financeiros de Nova York após a quebra dos bancos em 2008.

blue jasmine

None

blue jasmine

None

Enquanto era casada com o investidor Hal (Alec Baldwin), Jasmine (Blanchett) viveu o melhor da especulação: compras, festas, viagens pelo mundo. Depois que o marido foi preso por fraude e Jasmine - que tinha tudo no seu nome - foi à falência, só lhe restou morar de favor com a irmã cafona, Ginger (Sally Hawkins), e recomeçar a vida em San Francisco.

Allen estrutura o filme com flashbacks constantes para dar o tom do seu conto moral. Desde o início, em que Hal e Jasmine aconselham o marido de Ginger a investir na especulação ao invés de abrir seu próprio negócio, Blue Jasmine trata sem meias palavras das razões e dos efeitos da crise, escolhendo vítimas e apontando culpados. Mas pela perua Jasmine Allen simpatiza, senão ela não seria a protagonista do filme, afinal.

Na verdade, pela forma ostensiva como Allen filma Cate Blanchett - exposição que a atriz tem talento e experiência suficientes para aguentar - somos capazes de tirar da personagem, ao longo do filme, um espectro completo de juízos: ela é vítima e culpada, tapada e esperta, lúcida e neurótica. (Não seria uma protagonista de Woody Allen se não fosse neurótica.)

O cineasta parece emular os contos morais e de verão de um dos seus ídolos, o finado Éric Rohmer, na maneira "francesa" como Allen filma os espaços do apartamento de Ginger em San Francisco, seguindo a ação junto ao corpo das atrizes e fazendo alguns travelings entre um cômodo e outro. De qualquer forma, são as escolhas que ele faz na hora de enquadrar Blanchett que têm o maior impacto. Na cena do telefonema, por exemplo, em que Jasmine quebra e cai no choro, a câmera fica a meia distância, em respeito, porque é o momento em que comédia e tragédia se unem.

Quando Allen vai para o close-up na atriz mesmo que a ação aconteça fora do enquadramento (para Jasmine é imprescindível escutar os outros, para saber como reagir), percebemos a dedicação com que o cineasta trata essa sua nova musa. Há muitas musas tortas na carreira do diretor - Blanchett desde já rivaliza com Dianne Wiest como as melhores - mas entre tantas protagonistas problemáticas poucas são expostas com tanta convicção quanto Jasmine.

Acompanhe as nossas críticas do Festival do Rio 2013

Blue Jasmine
Blue Jasmine
Blue Jasmine
Blue Jasmine

Ano: 2013

País: Estados Unidos

Classificação: 12 anos

Duração: 98 minutos min

Direção: Woody Allen

Roteiro: Woody Allen

Elenco: Cate Blanchett, Alec Baldwin, Sally Hawkins, Bobby Cannavale, Louis C.K., Peter Sarsgaard, Andrew Dice Clay, Michael Stuhlbarg, Alden Ehrenreich, Charlie Tahan, Max Casella, Tammy Blanchard, Martin Cantu, Daniel Jenks, Max Rutherford, Ali Fedotowsky

Nota do Crítico
Ótimo

Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados para as finalidades ali constantes.