Bill e Ted Encare a Música

Créditos da imagem: Orion Pictures/Divulgação

Filmes

Crítica

Bill & Ted: Encare a Música

O tempo passou, mas a busca por um mundo melhor continua e de forma bastante divertida

Marcelo Forlani
31.08.2020
14h36
Atualizada em
31.08.2020
15h03
Atualizada em 31.08.2020 às 15h03

Não sei muito bem onde eu estava em 4 de maio de 1989, quando Bill & Ted: Uma Aventura Fantástica (Bill & Ted’s Excellent Adventure) chegou aos cinemas do Brasil, nem quando o VHS chegou à locadora ou quando passou na TV, mas o fato é que não vi este que foi o primeiro grande sucesso de bilheteria de Keanu Reeves. Acho que só fui conhecê-lo de verdade quando estrelou Caçadores de Emoção (Point Break, 1991), no mesmo ano em que foi lançado Bill & Ted: Dois Loucos no Tempo (Bill & Ted’s Bogus Journey), segunda aventura dos desmiolados aspirantes a roqueiros. 

Mas se pudesse entrar na mesma máquina do tempo (e espaço) em que Bill (Alex Winter) e Ted (Reeves) viajam sem parar, certamente gostaria de ir avisar ao adolescente Marcelo Forlani que ele deveria correr até a locadora e pegar este filme. O humor non-sense e inocente dos dois é divertido até hoje e as diversas referências ao rock não fazem mal a ninguém. 

Porém, passados quase 30 anos (e muitos filmes de sucesso), é um pouco estranho ver Keanu Reeves e Alex Winter voltando aos papéis que os revelaram. Keanu virou ator conhecido principalmente pelos seus papéis de ação com destaque nos anos 1990 (Caçadores de EmoçãoVelocidade Máxima), 2000 (Matrix, Constantine) e 2010 (John Wick), sem contar seu jeito zen, os vídeos dele dando lugar para as pessoas no metrô e as outras lendas urbanas. Alex Winter foi para trás das câmeras e dirigiu clipes musicais, comerciais e, mais recentemente, documentários (seu próximo projeto é um filme sobre Frank Zappa). 

Em alguns momentos, parece que os dois estão um pouco desconfortáveis, duros na hora de fazer “air guitar” ou interpretar personagens que claramente estão aquém das carreiras que construíram e das escolhas de vida que tomaram. 

Ou talvez seja o contrário e tal descompasso estivesse nos olhos deste crítico aqui, que ao longo da trama foi se reacostumando com os personagens que, assim como eu, envelheceram. Em sua terceira aventura pelo tempo-espaço, os dois ainda procuram pela música que vai garantir que o futuro dê certo e o universo continue em harmonia. Para ajudá-los, suas filhas vão recrutando novas figuras históricas e, seguindo os passos de seus pais, aprendendo ao longo do dia. Até a Morte (William Sadler) está de volta! 

Assim como Bill & Ted: Dois Loucos no Tempo não se limitou a repetir o que estava no primeiro filme e foi atrás de uma nova história, Bill & Ted: Encare a Música (Bill & Ted Face the Music, 2020) também parte em busca de novas ideias e deve garantir a diversão de quem curtiu os filmes originais. Os efeitos especiais certamente estão muito melhores, assim como a maquiagem, cenário e figurino nas diferentes realidades visitadas. 

Mas a grande mensagem é que devemos nos unir para salvar o mundo. Lembrando que desde 1989 eles já falavam em alto e bom tom: “Be excellent to each other”, que pode ser traduzida livremente como "sejam ótimos uns com os outros”. Nos dias sombrios e individualistas em que vivemos, mais e mais pessoas deveriam prestar atenção nestes dois e colocar em prática seus ensinamentos empáticos. E Party on! 

Nota do Crítico
Bom