Between Two Ferns: O Filme

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

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Crítica

Between Two Ferns: O Filme

Depois de mais de uma década de entrevistas propositalmente ruins, Zach Galifianakis leva os insultos e a vergonha alheia agora para um longa-metragem igualmente tosco

Mariana Canhisares
09.10.2019
18h08

Transformar um programa de entrevistas em um filme não parecia lá uma boa ideia, muito menos o Between Two Ferns, do Funny or Die. Por mais de uma década, o comediante Zach Galifianakis importunou celebridades - entre elas o antigo presidente dos Estados Unidos Barack Obama - com perguntas ofensivas e situações que só poderiam ser definidas pela expressão “vergonha alheia” em vídeos de poucos minutos. Como, então, criar uma trama para preencher 80 minutos de filme e ainda manter o DNA de um talk show de qualidade duvidosa? A resposta não poderia ser mais simples: fazendo um longa-metragem igualmente tosco.

Recorrendo ao mockumentary, formato consagrado em séries como The Office e Parks & Recreation, o co-criador do programa e diretor do longa Scott Aukerman narra o que potencialmente poderia ser a última temporada do Between Two Ferns. Afinal, Galifianakis começa o filme quase matando Matthew McConaughey com um vazamento de água fora de controle. Para recompensar o fundador do Funny or Die Will Ferrell - aqui esplendidamente retratado com um empresário mesquinho e muito interessado na moda country -, o comediante e sua enxuta equipe precisam entregar uma nova temporada, o que significa, em última instância, pegar a estrada e achar astros aleatórios que topem participar de um programa cujo grande atrativo são duas samambaias.

O formato casa perfeitamente com a proposta do programa original, frisando o desleixo e a preguiça que tornaram o Between Two Ferns um ótimo quadro cômico. Dessa vez, porém, o longa leva esses traços também para os bastidores da produção, que incluem bizarrices como o Zach Galifianakis usar absorventes para evitar derrapadas na cueca - pois é - e os cuidados diários com as plantas que dão nome ao filme.

Como era de se esperar, a pretensa jornada de sucesso do apresentador está recheada de convidados dispostos a rirem de si mesmos com piadas politicamente incorretas. “O que você quis dizer quando falou que o Martin Freeman era a única parte boa de Pantera Negra?”, questiona Galifianakis a Benedict Cumberbatch em determinado momento. Noutro, ele pergunta a Paul Rudd: "que conselho você daria para um jovem ator que quer esconder sua origem judaica tão bem quanto você?".

As entrevistas rendem ótimos momentos, e são realmente a alma do filme. No entanto, é a consciente mediocridade do roteiro, que trabalha clichês atrás de clichês das tradicionais histórias de superação, que arremata o humor da produção. Nada como um filme que entende e aceita a galhofa. Às vezes, se levar a sério realmente não vale a pena.

Em poucas palavras, Between Two Ferns: O Filme não poderia ser mais bobo e idiota. Ainda bem. É isso que o torna incrível.

Nota do Crítico
Ótimo