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Crítica

Pedro Pascal, Tony Gilroy e trilha sonora são as notas fundamentais de Behemoth!

Filme tem projeto ousado com nove compositores, entre eles Michael Giacchino e Alan Silvestri

Omelete
4 min de leitura
23.10.2026, às 16H30.

Entre a trilogia Bourne, Conduta de Risco e Andor, Tony Gilroy deixou claro que é um mestre em misturar tensão e drama em suas obras. Assinando o roteiro dos filmes estrelados por Matt Damon, Gilroy ajudou a ditar o cinema de ação nos anos 2000, apresentando um herói humanizado e atormentado. Já com Star Wars, ele colocou os pés da franquia no chão com dramas relevantes para o mundo real, tanto em Andor quanto em Rogue One. É interessante então que, após histórias de ação, espionagem e intrigas, tenhamos Behemoth!, longa que Gilroy escreve e dirige, e enxergamos um drama sobre inspiração, arte, propósito, família e música. Muita música.

O filme acompanha Alex (Pedro Pascal), um violoncelista que precisa retornar a Los Angeles por razões pessoais. Seu retorno desperta velhas paixões e relacionamentos turbulentos, incluindo questões familiares que envolvem o legado da música em seu círculo mais próximo, algo potencializado por sua curiosa obsessão por uma jovem artista que está viralizando na internet. Assim como fez em Supremacia e O Ultimato Bourne, Gilroy embaralha a linha do tempo dessa história, montando um grande quebra-cabeça da vida de Alex. Acompanhamos o personagem desde a juventude — com Pascal ostentando um breguíssimo rabo de cavalo — até o presente enquanto ele trabalha nas trilhas sonoras de filmes, job que ele assume depois de voltar à Califórnia. O grande barato desse esquema armado por Gilroy é a mudança de percepção nas atitudes de Alex conforme entendemos qual momento da sua vida estamos testemunhando.

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Nadia (Eva Victor) é uma das peças principais neste jogo. A personagem aparece em apenas duas cenas, mas é fundamental para unir diversos pontos da trama, especialmente na reta final e na busca de Alex pela inspiração que perdeu ao longo do tempo. Enquanto isso, Carol (Olivia Wilde) e Andy (Will Arnett) preenchem as lacunas propositalmente deixadas por Gilroy. A primeira, em um papel hilário, persegue Alex cobrando resoluções de um caso que, a princípio, não dá pistas de como terminou. O segundo é o irmão de Alex, um músico de Los Angeles que, mesmo em outro espectro da arte, compartilha frustrações semelhantes com o protagonista.

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Divulgação/Searchlight Pictures

No centro de tudo isso, Pedro Pascal entrega um dos melhores trabalhos de sua carreira. É impressionante o quão diferente o ator aparece a cada corte do filme: charmoso e galã em um momento, depressivo em outro. Focado, inquieto, carismático; Pascal vive todas as facetas possíveis de Alex e ainda entrega uma impressionante atuação física como músico, integrando-se com precisão às orquestras e aos momentos musicais da trama. Pascal passou por um intenso treinamento para aprender a tocar violoncelo e fica impossível dizer que ele não era calejado nas cordas do instrumento antes da produção. Essa magia torna o protagonista e suas sequências musicais ainda mais fortes.

Esse trabalho de direção de atores é extremamente preciso e se estende também à fluidez das cenas, várias delas conduzidas em planos-sequência passeando por corredores, ruas e jardins. O mérito divide-se entre a fotografia de Damián García e a montagem de John Gilroy — irmão de Tony —, que aceleram e reduzem o ritmo como a regência de uma grande peça musical, sem jamais atropelar ou criar morosidade no drama. O momento em que Alex precisa fugir da neurose de Carol pelos bastidores de um teatro — terminando em uma rua gelada coberta de neve e em um acidente de carro — é uma aula de Gilroy e sua equipe, impulsionada pelo grande trunfo do filme: a trilha sonora.

Behemoth! apresenta uma grande trilha orquestrada por nove compositores: Michael Abels, Michael Giacchino, James Newton Howard, Henry Jackman, Alan Silvestri, Emily Bear, Lukas Frank, Nami Melumad e Brandon Roberts. Gilroy trabalha perfeitamente a diegese das cenas, misturando o trabalho de Alex com os momentos que ele vive, sejam eles amorosos, dramáticos, de suspense ou de ação. Cada flashback vem como uma memória que invade sua mente enquanto ele toca as faixas nas quais está trabalhando. Quando Alex se mostra menos inspirado, a trilha também se faz menos presente, e o inverso. Em determinado momento, a música dá lugar a um podcast que vira narração e insere novas informações sobre o passado do protagonista — um trabalho primoroso que merece ser lembrado em premiações e na própria videografia do diretor.

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Divulgação/Searchlight Pictures

O crescendo da história vai preparando Behemoth! para um final fantástico, que começa com uma inesperada e desajeitada cena de ação, mas culmina em um momento delicado que coloca a música, mais uma vez, como um terceiro personagem em cena. Gilroy vai, aos poucos, dosando calmaria e ansiedade enquanto aguardamos o próximo passo da sequência.

Com o subtítulo brasileiro Uma Vida Composta em Peças, Behemoth! cria uma experiência envolvente e curiosa. O filme consegue se distanciar de dramas com temática similar, como Whiplash e TÁR, encontrando na estrutura narrativa escolhida por Tony Gilroy, na atuação de Pedro Pascal e na incrível trilha sonora as notas perfeitas para o sucesso dessa composição. Trata-se de um longa que encanta pela arte, faz rir mais do que o esperado e emociona sem se tornar piegas. O aplauso ao final do espetáculo é mais do que merecido.

Nota do Crítico

Behemoth: Uma Vida Composta em Peças

Behemoth!

Duração: 127 min
Direção: Tony Gilroy
Roteiro: Tony Gilroy
Elenco: Pedro Pascal, Olivia Wilde, Will Arnett, Eva Victor
Onde assistir:

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