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Crítica

Beasts of no Nation | Crítica

Idris Elba comanda exército de crianças no primeiro filme da Netflix

Érico Borgo
13.09.2015, às 14H50
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H37
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H37

Primeiro longa-metragem da Netflix, com lançamento simultâneo em cinemas selecionados e no serviço de video on demand, Beasts of no Nation é baseado no romance do autor descendente de nigerianos Uzodinma Iweala.

Ambientado em um país sem nome africano, de forma a representar conflitos sectários deflagrados em pontos diversos ao longo do continente, o drama de guerra acompanha o menino Agu (o estreante Abraham Attah).

Uma criança imaginativa e feliz com sua família antes da guerra, Agu se vê sozinho e vulnerável na selva quando um ataque miliciano devasta sua cidade. Ao ser encontrado por rebeldes, porém, ele é forçado a se transformar do dia para a noite em um soldado.

É uma história atemporal de perda da inocência, que ecoa Cidade de Deus em tema. Mas Agu, formidavelmente interpretado por Attah, não é Zé Pequeno... Mesmo depois de ver e sofrer toda sorte de violência inerente à guerra, o garoto segue com espírito resiliente... Ainda que seus atos, sob medo da morte e de nunca mais ver a mãe, digam o contrário.

Central à trama é a figura imponente do Comandante (Idris Elba). O ator vive aqui a antítese do que realizou em Mandela: Caminho Para a Liberdade, um personagem grotesco e carniceiro, mas igualmente carismático. O líder de guerrilha é como tantos que cometeram abominações em guerras africanas - mas Elba entrega a ele qualidades quase cultistas... Seus discursos são paternais e hipnóticos, como a dança de guerra que promove antes dos ataques. Sua milícia usa o frenesi quase religioso em nome dos atos que cometerão.

Excepcional diretor de atores, Cary Fukunaga é igualmente mestre na fusão de personagens fortes com o ambiente natural ao redor. A maneira como usa a fotografia de forma quase onírica - sempre sob a cobertura de um véu de umidade que parece filtrar a realidade -, ampliada pela música de Dan Romer, gera uma tensão constante, prometendo sempre que algo ainda pior virá a seguir. É a mesma qualidade que ele já havia mostrado na primeira temporada de True Detective. Seja nas selvas da África ou na pantanosa Louisiana, Fukunaga demonstra versatilidade para contar histórias tão diferentes quanto intensas.

Beasts of no Nation será disponibilizado na Netflix em 16 de outubro.

Leia todas as críticas do Festival de Toronto 2015

Beasts of No Nation (2015)
Beasts of No Nation
Beasts of No Nation (2015)
Beasts of No Nation

Ano: 2015

País: EUA

Classificação: LIVRE

Duração: 133 min

Nota do Crítico
Ótimo

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