Cena de Até a Morte, com Megan Fox (

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Filmes

Crítica

Até a Morte traz uma ótima Megan Fox em história tensa de sobrevivência

Dinâmicas matrimoniais são ironizadas em filme ágil e inteligente de S.K. Dale

Omelete
3 min de leitura
Caio Coletti
10.06.2022, às 06H00

Vamos tirar o elefante branco da sala: Megan Fox está excelente em Até a Morte. Ela interpreta Emma, a esposa-troféu do homem de negócios Mark (Eoin Macken). Presa em uma gaiola dourada com sua vida luxuosa, mas cheia de repressões, ela parece apropriadamente trepidante quando o marido a leva para uma cabana isolada, no meio de uma nevasca, a fim de celebrar os 11 anos de casamento. A apreensão se prova justificada quando Mark se algema à esposa e dá um tiro em sua própria cabeça, deixando-a presa ao seu cadáver enquanto dois assassinos de aluguel contratados por ele chegam para matá-la.

Nos momentos antes de Até a Morte plenamente introduzir sua premissa de sobrevivência, Fox acerta em cheio a conduta gelada de uma mulher que aprendeu a se diminuir, a se limitar dentro de um casamento. Nos olhares de soslaio e no choque de cada momento de virada, a atriz expõe os machucados escondidos de anos em uma relação de dinâmicas tortas e sem autonomia. E, quando o filme se torna um thriller intensamente físico de confinamento e perigo constante, Fox encarna uma heroína de ação tremendamente crível, cuja força vem de um anseio palpável por liberdade.

Então, sim, Megan Fox está excelente em Até a Morte. Mas, apesar de ser a âncora do longa, ela não é a única virtude que o torna tão envolvente. No roteiro, Jason Carvey entrelaça habilmente uma sátira amarga das dinâmicas matrimoniais e de gênero com a narrativa bem direta de um subgênero bem específico, o do suspense limitado a um único cenário. Ele sabe como e quando introduzir personagens e complicações, o que fazer com eles para que não pareçam distrações fúteis, e principalmente o quanto segurar a trama.

Com 1h28, Até a Morte é um filme refrescantemente ágil, mas não é raso. Ele permanece na tela por tempo o bastante para causar impacto, mas não por tempo demais para demonstrar suas fragilidades. Na direção, S.K. Dale modula os cenários esparsos em que a história se passa para criar um filme elegante, expressivo em como desafia o ascetismo da relação gélida entre marido e mulher, invadindo-a com o caos, o sangue, a violência cada vez mais escancarada desse último ato que a define.

É até curioso saber que Até a Morte foi filmado na Bulgária, em um estúdio com neve artificial feita de papel, porque a esterilidade do filme é essencial para que ele funcione, em um nível emocional e visceral. Conforme Emma é levada a atos mais extremos e atinge aquele status de final girl despedaçada perto do final, a fúria dela e o sabor pungente de sua vingança em formato de sobrevivência perturbam essa esterilidade de uma forma que torna impossível não torcer por ela.

Essa é a magia de um bom suspense, de certa maneira: ele te faz torcer pela pessoa que desafia a ordem natural das coisas para buscar a própria felicidade, que se recusa a morrer para poder viver como bem deseja. Em Até a Morte, Megan Fox encarna uma das versões mais marcantes desse arquétipo essencial na memória recente - e é até natural que ela encarne, tendo em vista o seu próprio status como contestadora de noções retrógradas sobre o estrelato feminino em Hollywood.

É uma sinergia curiosa e rara entre atriz e personagem, que torna este filme pequeno, competente e tenso ainda melhor de se assistir.

Até a Morte
Till Death
Até a Morte
Till Death

Ano: 2021

País: EUA

Duração: 88 min

Direção: S.K. Dale

Roteiro: Jason Carvey

Elenco: Callan Mulvey, Jack Roth, Eoin Macken, Megan Fox, Aml Ameen

Nota do Crítico
Ótimo

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