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Créditos da imagem: As Golpistas/Diamond/Divulgação

Filmes

Crítica

As Golpistas

Com Jennifer Lopez em seu melhor papel no cinema, filme conta história moralmente cinza, mas cheia de glitter, sobre golpe aplicado por strippers depois da crise em Wall Street

Natália Bridi
11.09.2019
18h41

Um dia normal em Wall Street envolvia as altas e baixas do mercado e uma ida ao clube de striptease para espairecer. Por anos, essa era a jornada de trabalho que movia a economia nos EUA, até que a crise de 2008 chegou.

Sem a matéria-prima do seu sustento — o homem hétero e rico — um grupo de strippers precisou buscar alternativas, incluindo “lubrificar” com drogas o uso do cartão de crédito dos seus clientes. Baseado no artigo de Jessica Pressler para New York Magazine, As Golpistas (Hustlers) narra essa virada de jogo em que certo e errado se misturam em um mundo moralmente cinza, mas cheio de glitter.

Destiny (Constance Wu) trocou o Queens por Wall Street em busca de melhores gorjetas, mas ainda não tinha a malemolência necessária para explorar seus clientes. É quando ela vê a amazona encarnada Ramona (Jennifer Lopez), que simplesmente faz chover dinheiro ao se mover libidinosamente. No topo do prédio da boate, entre biquínis, cigarros e casacos de pele, as duas estabelecem uma dinâmica de mestre e aprendiz.

Dessa relação, Wu torna crível a ingenuidade de Destiny, deslumbrada com cada conquista, e Lopez, em um dos seus melhores papéis no cinema, faz de Ramona uma força a ser seguida. Cada fala do roteiro de Lorene Scafaria, que também assina a direção, é calculada para aproveitar o carisma da cantora. A potência de Lopez também é traduzida visualmente, com a fotografia neon de Todd Banhazl criando mais uma deusa urbana do que uma stripper trambiqueira.

Lili Reinhart e Keke Palmer são as outras integrantes da gangue que, com participações de figuras como Cardi B, Lizzo e Julia Stiles (jornalista Jessica Pressler), tornam As Golpistas uma representação de poder feminino em um meio que geralmente é visto como exploração. A facilidade com que seduzem suas “vítimas” é a prova. A objetificação dos seus corpos pela relação de via única de alguns homens com sexo (só a eles se destina o prazer) se transforma na principal arma usada no golpe.

O desejo é peça central do filme, mas a direção de Scafaria garante que essa temática não se limite ao sexo. A ânsia por dinheiro, sucesso e amor tem o mesmo espaço. Essa representação humana completa cria um filme altamente atrativo, seja pela beleza que coloca na tela, seja pelo fascínio pelo golpe com gosto de vingança. Como explica Ramona, todo mundo quer se dar bem, é só uma questão de quem tem o dinheiro e quem está disposto a dançar para ganhá-lo.

Nota do Crítico
Ótimo