Sensível, As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você te faz querer viver intensamente
Longa brasileiro é dirigido por Diego Freitas e têm Any Gabrielly e Giulia Be no elenco
Créditos da imagem: As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você (Reprodução)
É notável o crescimento da produção audiovisual brasileira nos últimos anos, especialmente depois de o país ganhar destaque duas vezes em uma das premiações mais influentes do cinema mundial: o Academy Awards, popularmente conhecido como Oscar. Segundo dados da Ancine, em 2025, o Brasil registrou o terceiro ano consecutivo de crescimento no volume de produção audiovisual.
Nesse cenário, o cinema nacional segue se construindo a partir de histórias que buscam alcançar diferentes públicos, despertar identificação e abordar questões presentes na vida de quem as assiste. É assim que As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você ganha seu espaço, ao propor um diálogo com o público por meio de uma trama sobre luto, depressão, amizade, amor e recomeços.
Baseado no livro homônimo de Fernanda de Castro Lima, a história acompanha a amizade entre Gabi e Júlia, interpretadas respectivamente por Any Gabrielly e Giulia Be, que estiveram presentes na CCXP25 para fazer a divulgação do longa. Quando o destino toma um rumo inesperado, Júlia sofre um acidente fatal, deixando a amiga sozinha e desolada. Na tentativa de ajudá-la a seguir em frente, a garota prepara antes de partir dez cartas com desafios que incentivam Gabi a sair de sua zona de conforto e, quem sabe, encontrar uma maneira de lidar com a perda. Ao longo dessa jornada, a protagonista constrói novas amizades, se aventura em um primeiro amor e descobre uma versão de si que ainda não havia explorado.
Diego Freitas, responsável por títulos como Caramelo e Depois do Universo, assina a direção e conduz o longa com um olhar atento ao equilíbrio entre densidade e leveza narrativa. Apesar do título, que serve de prenúncio para uma história inevitavelmente melancólica, o longa surpreende ao abrir espaço para o humor e momentos de descontração. A carga dramática está presente, como esperado, mas não ocupa todos os espaços: há também cenários de esperança, autodescoberta e a possibilidade de encontrar alegria mesmo diante da ausência.
O filme também aborda um outro tema delicado: a depressão. Por meio de metáforas visuais envolvendo água e escuridão, Diego traduz o estado emocional de uma das personagens representando essa sensação de forma palpável, ao “afundá-la” nesse sentimento. Essa escolha estética ganha ainda mais força no momento em que essa condição chega ao seu ápice, resultando em uma das cenas mais angustiantes do filme.
Any Gabrielly já é uma estrela no meio musical e com um expressivo currículo na dublagem. Na atuação, ainda tem uma filmografia relativamente curta, mas vem ganhando espaço cada vez mais, como vimos na série Habeas Corpus, da Netflix, onde ela protagoniza a produção ao lado de Marjorie Estiano. Embora sua interpretação ainda esteja em processo de amadurecimento, a artista convence ao conduzir a jornada de Gabi e transmitir as distintas emoções que atravessam a personagem, demonstrando enorme potencial para ampliar ainda mais sua trajetória como atriz.
Considerando o falecimento da personagem Júlia logo no início do longa, Giulia Be naturalmente aparece menos em cena. Seus momentos se dão principalmente por meio de flashbacks e das lembranças da amiga. Apesar disso, ela imprime espontaneidade e carisma à personagem, tornando sua presença marcante mesmo com o tempo limitado de tela. Quanto à cumplicidade entre as duas, isso é algo que se destaca, o que ganha um significado ainda mais especial pelo fato de elas serem melhores amigas na vida real.
A conexão entre as artistas também se estende à música. Ambas contribuem para a trilha sonora original dessa história: Giulia Be compõe e interpreta “Te Olhando Daqui”, enquanto Any Gabrielly assina e performa durante o longa “Ecoar”. As canções ampliam a participação delas na produção e reforçam a dimensão musical e o talento em suas trajetórias artísticas.
O elenco também reúne alguns nomes conhecidos como Sheron Menezzes, Regiane Alves e Leo Jaime. Entre os destaques está Pâmela Germano, que interpreta a rebelde Lorena e se firma como uma das principais fontes de humor para a narrativa, trazendo um respiro entre os momentos dramáticos.
As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você mira no público jovem, mas tem potencial para conquistar espectadores de diferentes idades. Afinal, ninguém está completamente preparado para as surpresas da vida, muito menos para lidar com as perdas que surgem pelo caminho. Ao abordar esses temas com sensibilidade e equilibrar momentos dolorosos com humor e romance, o filme mostra que falar sobre assuntos difíceis não significa abrir mão de celebrar a vida. Mais do que uma história sobre aprender a conviver com a ausência, é um convite a aproveitar as experiências, os encontros e as possibilidades que ainda estão por vir.
As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você
Editar comentário
Excluir comentário
Confirmar a exclusão do comentário?
Comentários (0)
Os comentários são moderados e caso viole nossos Termos e Condições de uso, o comentário será excluído. A persistência na violação acarretará em um banimento da sua conta.
Faça login para comentar e avaliar
Compartilhe sua opinião, publique críticas e participe das discussões com a comunidade Omelete.Escrever comentário