Filmes

Crítica

Armações do Amor | Crítica

Armações do Amor

Marcelo Forlani
13.04.2006
00h00
Atualizada em
06.11.2016
11h07
Atualizada em 06.11.2016 às 11h07

Armações do Amor
Failure to Launch
EUA, 2006, 97 min
Comédia/Romance

Direção: Tom Dey
Roteiro: Tom J. Astle e Matt Ember

Elenco: Matthew McConaughey, Sarah Jessica Parker, Adam Alexi-Malle, Justin Bartha, Kathy Bates, Terry Bradshaw, Zooey Deschanel, Tyrell Jackson Williams, Katheryn Winnick

Solteirão convicto, Tripp (Matthew McCounaghey) chega aos 35 anos ainda morando na casa dos seus pais. A vida é fácil: roupa lavada, comida pronta e não precisa pagar aluguel. Para, digamos, ajudá-lo a levantar vôo solo e sair do ninho, seus pais contratam Paula (Sarah Jessica Parker), uma mulher especializada em fortalecer a auto-estima deste tipo de homem e fazê-lo ir morar sozinho.

Ao ler a sinopse acima você já sabe que em determinado momento os dois vão se apaixonar de verdade. Que ela vai acabar ultrapassando os limites estabelecidos por seu trabalho. Que ele vai descobrir tudo e virar as costas. E que, no fim, os dois terminarão juntos.

Como já foi dito aqui inúmeras vezes, as comédias românticas seguem fórmulas e o que as difere é a idéia que unirá os casais e, principalmente, o caminho que os levará à felicidade eterna. No caso de Armações do amor (Failure to launch, 2006), os roteiristas Tom J. Astle e Matt Ember foram espertos ao escolher um tema que está tão na moda hoje, os filhos que não querem sair da casa dos pais. Porém, eles pecaram em transformar sua história em algo sem foco. Na tentativa de divertir o público tanto quanto envolvê-lo em sua trama, eles acabaram se perdendo. Com tantas idéias misturadas, o filme não ganha ritmo e termina antes de conseguir alcançar seus objetivos.

Um exemplo claro disso são os animais que atacam Tripp. A idéia é explicada mais para frente, mas é tão "jogada" que se mostra, na verdade, gratuita. O diretor Tom Dey parece não saber muito bem que decisões tomar e acaba tornando o longa em um Entrando numa fria sem tanta graça, nem romance. E matéria-prima não lhe faltou. Reunir Matthew McConaughey e Sarah Jessica Parker no mesmo elenco é quase arrancar suspiros da platéia à força. Os dois esbanjam charme na tela, mas seus dramas pessoais são citados tão superficialmente que ao esticar o braço para pegar a pipoca, você provavelmente já se esqueceu deles.

Seguindo um código próprio no qual é permitido beijar, mas jamais transar com os filhos de seus clientes, Paula ainda lembra muito a Carrie Bradshaw que tornou Sarah Jessica Parker uma das mulheres mais conhecidas do showbiz. Para conseguir escapar de vez das comparações, ela vai ter que deixar de lado as madeixas cuidadosamente descoloridas e seus sapatos de bico fino, voltando a fazer filmes menores. Já para o Sr. McConaghey, há mais possibilidades. Apesar de ser conhecido pelas suas comédias românticas, ele se mostra em boa forma para filmes de ação. O jeito galã e a camisa estrategicamente aberta em nada devem a um certo agente secreto britânico. Resta saber se ele terá a mesma garra na hora de encarar projetos mais desafiadores.

Voltando ao filme, ele renderá algumas risadas, um ou outro "ah não" e uma teimosa lagrimazinha que teima ficar no canto do olho naquele beijo final. Mas ficam no ar as questões não respondidas. O que leva um marmanjo a querer ficar em casa até que seus pais o expulsam? O que leva uma mulher a se tornar uma garota de programa (sem sexo, lembre-se!) disposta a tirar os garotões do conforto do seu lar? E, principalmente, o que leva Hollywood a repetir tantas vezes a mesma história?

Nota do Crítico
Regular