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Crítica
Aranha | Com boas atuações, filme chileno deixa dúvidas no ar
Longa foi escolhido pelo Chile para tentar uma vaga de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar de 2020
Créditos da imagem: Divulgação
Quando se fala em 11 de setembro, todo mundo pensa nos aviões batendo nas Torres Gêmeas de Nova York. Bom, quase todo o mundo. Existe um país na América do Sul que guarda memórias diferentes para esta data (e com mais mortes!): o Chile. Foi neste dia, em 1973, que um Golpe de Estado derrubou o regime democrático do presidente eleito Salvador Allende, o primeiro socialista marxista eleito na América. Apoiando o Golpe que levou Augusto Pinochet ao poder estavam as forças armadas do Chile e organizações de extrema direita, como o Patria y Libertad, devidamente resguardados financeira e militarmente pelos Estados Unidos e a CIA.
O cineasta Andrés Wood, que já mostrou este cenário no seu premiado Machuca (2003), atualmente disponível na Netflix, coloca suas câmeras agora para mostrar os acontecimentos por um outro prisma em Aranha.
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A nova história, que mais uma vez mistura personagens ficcionais com fatos, é dividida em duas linhas do tempo paralelas. Na véspera do Golpe conhecemos Inês (María Valverde) e Justo (Gabriel Urzúa), estudantes universitários pertencentes à classe alta de Santiago, e Gerardo (Pedro Fontaine), jovem trabalhador e de pavio curto. E logo de cara um triângulo amoroso tão potente quanto perigoso se forma, com o trio acima participando ativamente de reuniões e atos do grupo fascista Patria y Partido, cujo símbolo preto sobre um fundo vermelho lembra a tal Aranha do título - e remete à suástica nazista.
Já nos dias de hoje, temos um Chile bastante desgastado, com diferenças sociais que levam pessoas a roubos de bolsa em plena luz do dia enquanto uma elite comanda tudo do ar-condicionado de seus carros, empresas ou mansões. É neste contexto que vemos Gerardo (Marcelo Alonso) retornar ao país após ser dado como morto por muitos anos. E ele traz consigo o mesmo pensamento bélico de antigamente, xenofobia e muitos segredos que o levaram a ficar tanto tempo afastado.
Sem pressa, o roteiro criado por Guillermo Calderón mostra que muito mudou no país, mas que o poder continua nas mãos das mesmas pessoas. Enquanto Inês (Mercedes Morán) e Justo (Felipe Armas) estão ainda mais ricos e poderosos do que nunca dirigindo sua SUV, Gerardo é visto pela primeira vez em um "chevetinho".
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Apesar de boas atuações, principalmente da espanhola María Valverde, as idas e vindas do roteiro atrapalham um pouco o ritmo da história. Em nada ajuda a inserção, no meio do filme, de trecho do documentário Con El Signo de la Araña, feito por dois alemães que estavam no Chile para registrar a crescente da direita extremista e os paralelos com o nazismo alemão.
Sem o mesmo didatismo de Machuca nem o carisma de seu protagonista, Aranha deixa muitas dúvidas no ar, principalmente para quem não conhece tanto da história recente do país. Mas não se trata de questionamentos ou espaços para ponderaçóes sobre a sociedade chilena, mas sim dúvidas sobre o que é real ou ficcional na trama.
P.S. Não se espante com a presença de Caio Blat no filme, que é uma co-produção Chile, Argentina e Brasil, e foi o longa escolhido pelo Chile para tentar uma vaga de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar de 2020.
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