Aprendiz de Espiã

Créditos da imagem: Diamond Films/Divulgação

Filmes

Crítica

Aprendiz de Espiã

Mesmo caindo em alguns clichês do gênero, comédia diverte graças a charme de seus protagonistas e boas sacadas do roteiro

Nicolaos Garófalo
11.03.2020
19h09
Atualizada em
11.03.2020
19h20
Atualizada em 11.03.2020 às 19h20

Desde que Arnold Schwarzenegger inaugurou a fase mais cômica de sua carreira com IrmãosGêmeos, em 1988, e Um Tira no Jardim de Infância, de 1990, um subgênero da comédia foi criado: brucutus em situações inesperadas. Com filmes como O Último Grande Herói (1993) e Um Herói de Brinquedo (1996), a indústria do cinema passou a explorar a possibilidade de mostrar astros de ação contracenando com crianças, como foi o caso de Vin Diesel em Operação Babá (2005) e Dwayne Johnson em O Fada do Dente (2010). A bola da vez em 2020 é Dave Bautista (Guardiões da Galáxia), que surge como um agente fortão e amigo improvável de uma garota precoce em Aprendiz de Espiã.

A história da comédia, escrita pelos Irmãos Hoeber (RED: Aposentados e Perigosos), é simples. Após estragar uma operação que incriminaria traficantes de armas russos, o agente da CIA JJ (Bautista) é punido com a tarefa discreta de vigiar a família de um outro traficante morto, formada pela sua viúva, Kate (Paris Fitz-Hanley), e a filha, Sophie (Chloe Coleman). A missão, aparentemente fácil, se torna um pesadelo quando a garota, que vive solitária no colégio, descobre a verdadeira  identidade do agente e sua parceira, a especialista em tecnologia Bobbi (Kristen Schaal), e passa a suborná-los para que JJ lhe faça companhia em passeio e eventos escolares. Para evitar a vergonha de ter a missão estragada por uma menina de nove anos, a dupla aceita as exigências de Sophie, que imediatamente cria um laço com JJ.

A trama em si não traz nenhuma grande novidade. Tanto o brucutu emocionalmente fechado que “aprende” a falar de seus sentimentos, quanto a fofa, mas geniosa criança que manda e desmanda num adulto musculoso já foram vistas algumas vezes no cinema. No entanto, Aprendiz de Espiã consegue usar alguns desses clichês a seu favor, muito graças à química entre Bautista e Coleman.

Com muito carisma, a dupla passa por algumas situações como um “dia dos pais e amigos” no colégio da garota, com JJ ameaçando dois garotos que fazem bullying e um sem número de mães que se apaixonam pela boa forma do agente, enquanto o grandalhão treina Sophie para se tornar uma “heroína de filme de ação”. Além disso, tanto o roteiro dos Hoeber quanto a direção de Peter Segal trazem homenagens e referências a filmes do MCU e Indiana Jones – , como diz Bobbi, “mais um pouco e isso vira plágio”.

As cenas de ação também são uma diversão à parte. Da abertura do filme, em que Bautista explode um cartel de armas russo, à improvável perseguição a bordo de um minúsculo carro, Segal prende a atenção do espectador, ao mesmo tempo em que mantém a graça da comédia. Seja com cabeças voando ou JJ usando um aplicativo de mapas e rotas em plena caçada aos vilões, Aprendiz de Espiã traz elementos divertidos para lembrar o espectador que o filme deve ser visto como uma sessão pipoca e nada além disso.

Ainda assim, fazer piadas com alguns clichês não alivia completamente o uso descarado de outros, especialmente em seu terceiro ato. Sem a mesma carga emocional do restante do filme, os minutos finais de Aprendiz de Espiã trazem lugares-comum cansativos como a traição de amigos que se revelam agentes duplos, um romance um tanto forçado entre JJ e Kate e uma luta de proporções épicas que, como qualquer outra comédia de ação familiar, não traz qualquer risco real aos protagonistas do longa.

Apesar de tudo isso, é impossível dizer que o longa não é divertido. Mesmo com seus clichês e simplicidade, Aprendiz de Espiã é um entretenimento inocente para a família e merece reconhecimento pela diversão que proporciona.

Nota do Crítico
Bom