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Anjos da Lei | Crítica

Adaptação da série de TV atualiza, presta homenagem e tira muito sarro do programa dos anos 1980

Marcelo Forlani
03.05.2012
20h48
Atualizada em
29.06.2018
02h23
Atualizada em 29.06.2018 às 02h23

Logo na primeira cena, ao som de Eminem e um Jonah Hill de cabelo descolorido e aparelho nos dentes, já dá para perceber que Anjos da Lei (21 Jump Street, 2012) não tem medo de errar para fazer rir. Este espírito de ir ao limite da comédia permeia quase que o filme inteiro, mas a primeira parte, com a introdução dos personagens Schmidt (Hill) e Jenko (Channing Tatum), seu treinamento na polícia e a missão de estreia podem causar falta de ar nos asmáticos que forem sem suas bombinhas ao cinema.

Anjos da Lei

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Anjos da Lei é baseado na série de TV homônima, que foi exibida no fim dos ano 1980 e catapultou Johnny Depp ao patamar de ídolo adolescente. Mas ao contrário de outras adaptações que apenas prestam homenagem - ou simplesmente se aproveitam de um nome conhecido do grande público - este filme também atualiza o cenário para o que vemos hoje em dia. Se em outra época o popular da escola era o cara com carrão, estilo esportista e atitude, hoje em dia temos novos tipos, como os sensíveis defensores do meio-ambiente, e é preciso se adaptar a eles. Ao chamar a atenção para estas mudanças, o roteiro escrito pelo próprio Hill em parceria com Michael Bacall começa a ganhar um brilho próprio.

Outro divertido ponto positivo do filme é o "bromance" vivido pelos dois protagonistas, que não se bicavam no colégio e depois acabam virando melhores amigos, a ponto de serem usados como irmãos em sua primeira missão na unidade da polícia para onde são deslocados, dedicada a jovens agentes que ainda mantêm a cara de adolescente, a ponto de poderem atuar infiltrados em colégios. Sua missão é descobrir de onde vem uma nova droga que acabou vitimando um dos alunos da escola para onde são "transferidos".

O ritmo das piadas e situações em que os dois se metem só dá uma diminuída na parte final do longa, que acaba se rendendo às regras dos filmes policiais, com tem tiroteios e vilão sendo desmascarado e contando seus motivos. Vale destacar que além de comédia acima da média, Anjos da Lei também consegue mandar bem nestas cenas de ação, incluindo uma ou outra piada entre perseguições e explosões.

Hill presta também suas homenagens aos adolescentes que viveram aquela época das grandes franjas e brincos em formato de cruz. Além de participações especiais, ele batizou um de seus protagonistas em respeito ao primeiro capitão da série. Nada mais justo, afinal o programa marcou uma geração ao levar para a TV crimes na adolescência e fez história nos Estados Unidos por ser a primeira série do canal Fox a desbancar as grandes redes da época e se tornar líder de audiência. Mas é mesmo nas piadas e no novo contexto que estão as maiores homenagens, que mostram que ele fez sua lição de casa vendo o programa e agora usa tudo o que pode a seu favor.

Pode causar alguma estranheza para algumas pessoas a escolha dos diretores Chris Miller e Phil Lord, que antes só haviam dirigido para o cinema Tá Chovendo Hambúrguer e agora estreiam em um filme live-action, com temática completamente diferente e muito boca-suja (principalmente com o ótimo Ice Cube, que faz o capitão Dickson). Mas a verdade é que quem assistiu à animação vai notar o estilo de humor nonsense que deve ter levado ao convite. E que bom que eles aceitaram! Os dois ajudaram a criar uma das comédias mais engraçadas dos últimos anos, que chuta o politicamente-correto na bunda e ainda fica tirando sarro depois.

Anjos da Lei
21 Jump Street
Anjos da Lei
21 Jump Street

Ano: 2012

País: EUA

Classificação: 16 anos

Duração: 109 min

Direção: Phil Lord, Chris Miller

Elenco: Channing Tatum, Jonah Hill, Brie Larson, Ellie Kemper, Ice Cube, Dave Franco, Nick Offerman, Rob Riggle, Johnny Depp, Jake M. Johnson, Holly Robinson Peete, Johnny Pemberton, Caroline Aaron, Joe Chrest, Dakota Johnson, Johnny Simmons

Nota do Crítico
Ótimo

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