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Crítica

Anderson Silva - Como Água | Crítica

Documentário pretende defender a independência do brasileiro dentro do UFC, mas resulta chapa-branca

Marcelo Hessel
17.10.2011, às 12H21
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H37
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H37

É raro que um documentário tenha crédito de roteiristas. Anderson Silva - Como Água (Like Water) é uma exceção, tem quatro autores - entre eles Ed Soares, o empresário do lutador brasileiro.

anderson silva - como água

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Assistindo ao filme dedicado ao peso-médio invicto de 36 anos, dá pra ver o trabalho de escrita. Como Água acompanha Anderson Silva entre abril e agosto de 2010, um período conturbado em sua carreira, para criar uma situação de superação e um cenário de fábula, que antepõe o gênio incompreendido, o campeão "do gueto", Anderson, e o aplicado bom moço americano, Chael Sonnen, seu adversário no UFC 117.

Anderson vinha de uma vitória por pontos, sem brilho, em abril, contra Demian Maia, o que - na narrativa do filme - desencadeia uma série de frustrações. Do seu lado, o brasileiro sente falta da família e sofre com a rotina pesada de treinamento nos EUA, onde está cercado por seus compromissos com a liga. Do outro lado, a organização do UFC, que obviamente quer circo, se ressente com a indisposição do campeão para se promover dentro e fora do octógono.

Questionados pelo diretor Pablo Croce, os envolvidos - o atleta, seu agente, o desafiante, o presidente da liga - dão depoimentos que contribuem para transformar uma situação normal no esporte (Anderson só administrou a vitória contra Demian Maia) em uma crise. Como Água se presta, então, não a documentar a rotina de Anderson Silva, mas a alimentar uma rivalidade que só interessa, envidentemente, ao próprio UFC (alguém duvida que eles vão logo anunciar a revanche entre Anderson e Sonnen?).

É claro que essa situação tem seu encanto. Há ecos de Ali Vs. Foreman - a maior "narrativa" de esportes de luta do século 20, relembrada no espetacular documentário Quando Éramos Reis - por todos os lados. Anderson Silva é como Ali, falastrão, esquivo, em contato com o público (como na cena do Twitter) e questionado em seu favoritismo, enquanto Sonnen, desafiante como Foreman, aparece isolado, fechado no seu treinamento, alheio ao "apelo das ruas" - quando provoca o rival, parece estar falando sozinho. Na montagem de Como Água, que antepõe a academia pintada de preto de Anderson ao complexo clean da Nike onde Sonnen treina, os dois seriam como Yin e Yang (só pra ficar na linha taoísta que o filme encampa desde o título, em referência a Bruce Lee).

Como Água acaba funcionando mais, enfim, para evidenciar o talento do UFC em transformar uma disputa de título prosaica em evento do século. E para mostrar o controle da liga não apenas sobre seus atletas - é sintomático que Ed Soares tenha um retrato de Don King no seu escritório - mas também sobre a mídia que envolve as lutas. É um filme que pretende defender a independência de Anderson Silva, eterno outsider dentro da liga, mas acaba meio chapa-branca, míope diante da máquina promocional que coloca o espetáculo à frente do esporte.

Anderson Silva: Como Água
Like Water
Anderson Silva: Como Água
Like Water

Ano: 2011

País: EUA

Classificação: 12 anos

Duração: 76 min

Direção: Pablo Croce

Roteiro: Lyoto Machida, Ed Soares

Elenco: Anderson Silva, Jose Aldo, Junior dos Santos

Nota do Crítico
Regular

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