Pôster de Ana e Vitória

Créditos da imagem: Galeria Distribuidora/Divulgação

Filmes

Crítica

Ana e Vitória

Carisma da dupla não salva longa confuso e mal estruturado

Camila Sousa
02.08.2018
17h21

Existem alguns elementos que são muito importantes para um filme. Estrutura de três atos, criação de obstáculos e o desenvolvimento de personagens são alguns desses itens que, infelizmente, não aparecem de forma competente em Ana e Vitória, longa de Matheus Souza que conta a história da dupla musical. O longa começa mostrando o encontro de Ana Caetano e Vitória Falcão em uma festa. Elas conversam sobre seus projetos musicais e deixam em aberto a possibilidade de cantar juntas um dia.

É importante ressaltar aqui uma coisa: Ana e Vitória são artistas extremamente carismáticas e isso transparece em tela. Quando estão juntas, os diálogos fluem naturalmente e são gostosos de acompanhar. Mas o mesmo não acontece nas interações com o elenco de apoio e grande parte disso acontece porque Ana e Vitória, apesar de talentosas na música, não são boas atrizes. As conversas entre as duas se desenvolvem bem porque elas são amigas e essa dinâmica já funciona há muito tempo. Mas quando há a necessidade de conversar e, principalmente, expressar emoções com os coadjuvantes, a diferença fica clara.

Isso prejudica também um dos únicos pontos positivos do filme, que são os relacionamentos amorosos das protagonistas com outros personagens. A busca pelo amor é retratada de forma leve e sem preconceitos, mostrando como as duas se encantam pela alma e pela personalidade das pessoas, independente de todo o resto. Mas a inexperiência cênica da dupla faz esse ponto do filme perder bastante de sua carga dramática.

Outro detalhe bastante incômodo em Ana e Vitória é que ele praticamente não foca no desenvolvimento profissional das mulheres e, quando faz isso, nenhum obstáculo aparece: elas gravam um vídeo que se torna um sucesso; o álbum vende milhões de cópias e elas conquistam um disco de ouro pelo lançamento. A única coisa que coloca o sucesso das duas em xeque são suas próprias dúvidas, mas até esse empecilho, que poderia render uma trama interessante, é resolvido muito rápido. Tudo isso mostra que o roteiro de Matheus Souza carece de uma história realmente interessante para contar.

Descrito como uma “comédia romântica musical”, Ana e Vitória faz jus a esse nome ao incluir canções para complementar a história. Tais cenas são bem dirigidas e funcionam por oferecer algo novo ao público, mas não são o suficiente para salvar a produção, que termina sem mostrar um arco narrativo ou um desenvolvimento claro das protagonistas. A trajetória de sucesso do duo Anavitória é bastante linear e não tem elementos suficientes para inspirar ou emocionar o público. A melhor escolha aqui seria deixar as artistas se desenvolverem e terem mais experiências na carreira, para então contar essa história. No momento, ela tem pouco a oferecer.

Nota do Crítico
Regular