Ammonite

Créditos da imagem: Lionsgate/Divulgação

Filmes

Crítica

Ammonite

História de Mary Anning serve de veículo para o encontro de Kate Winslet e Saoirse Ronan

Patrícia Dantas
20.10.2020
17h42
Atualizada em
20.10.2020
18h12
Atualizada em 20.10.2020 às 18h12

O ano é 1840. O cenário é Lyme Regis, cidade localizada no condado de Dorset, na costa da Inglaterra. Ali, num rico sítio arqueológico, apesar de seu trabalho pioneiro na descoberta de fósseis pré-históricos no início do século XIX, a paleontóloga Mary Anning (Kate Winslet) trabalha sem reconhecimento, numa sociedade científica dominada por homens.

Marcando o segundo filme de Francis Lee após sua estreia na direção com o elogiado Reino de Deus, de 2017, Ammonite começa mostrando as condições adversas em que Mary vive e nas quais trabalha. De origem humilde, ela luta para pagar as contas da loja onde mora com sua mãe, Molly (Gemma Jones), e na qual vende souvenires de seus achados na praia, para turistas. Um dia, o geólogo escocês Roderick Murchison (James McArdle) entra no local com sua esposa amargurada (Saoirse Ronan), e oferece dinheiro para que possa passar um dia em campo com ela. Prestes a embarcar em uma expedição pela Europa, Roderick oferece ainda mais dinheiro para Mary cuidar de sua esposa, na sua ausência.

O que vemos, a partir de então, é a liberdade poética, por parte do diretor e roteirista, de reinventar a vida amorosa da paleontóloga. De classes sociais completamente opostas, Mary e Charlotte se aproximam pouco a pouco num filme que trata o romance de forma sublime. Eventualmente, as duas mulheres - uma notavelmente infeliz no casamento e outra totalmente focada no trabalho - florescem juntas nesse contraste.

A química entre Kate Winslet e Saoirse Ronan, talvez o principal chamariz do filme, é agradável de se ver em ação. Não é exagero pensar em indicações ao Oscar para a dupla - as últimas vezes em que a jovem Ronan concorreu a uma estatueta foram por Adoráveis Mulheres em 2020 e Lady Bird em 2018; já Winslet venceu na categoria de melhor atriz por O Leitor em 2009.

No entanto, a sensação geral ao ver Ammonite é de um déjà vu. Comparações com Retrato de uma Jovem em Chamas são inevitáveis, pela própria premissa do amor lésbico contra o relógio. Vale ressaltar que a cena de sexo ardente e apaixonada entre elas também tem um "quê” de Azul é a Cor Mais Quente. O elenco ainda conta com Fiona Shaw, que interpreta Elizabeth Philpot, o caso de amor fracassado de Mary, e o ator romeno Alec Secăreanu, que vive o médico Dr. Lieberson, o único homem do filme que parece tentar flertar com a paleontóloga.

Sem minimizar a importância de retratar todas as formas de amor nas telas, Ammonite peca ao escolher um recorte que não explora mais a vida profissional de Mary Anning, que foi reconhecida pela Royal Society como uma das dez mulheres britânicas que mais influenciaram a história da ciência em 2010, 163 anos após sua morte. Para alguém que descobriu o primeiro fóssil com apenas 11 anos de idade, realmente há algo de extraordinário para ser lembrado e celebrado. No filme, a prioridade é pensar no presente, no imediato: colocar Kate Winslet e Saoirse Ronan em contato, em rota de choque, essas atrizes que representam tão bem duas gerações recentes da escola britânica de atuação.

Ammonite encerrou a 64a. edição do Festival de Cinema de Londres no último fim de semana e a estreia oficial deve acontecer em 13 de novembro nos EUA.

Ammonite
Ammonite
Ammonite
Ammonite

Ano: 2020

País: Reino Unido

Duração: 136 min min

Direção: Francis Lee

Roteiro: Francis Lee

Elenco: Saoirse Ronan, Fiona Shaw, Kate Winslet

Nota do Crítico
Bom

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