Amigos Para Sempre

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Filmes

Crítica

Amigos Para Sempre

Versão americana do filme francês de enorme sucesso foge das regras da refilmagem

Marcelo Forlani
18.01.2019
08h20

Apesar de sermos amplamente dominados pelo cinema feito nos Estados Unidos, recebemos aqui no Brasil algumas produções feitas também em outros territórios. São poucas, perto do que é realizado no mundo inteiro, mas já nos ajudam a respirar ares diferentes, experimentar novos sabores e aromas. Um destes casos que passou por aqui e fez enorme sucesso foi o francês Os Intocáveis (Intouchables, 2011), de Olivier Nakache e Éric Toledano. Além de bater recordes de bilheteria na França e no mundo, o longa-metragem também atraiu mais de um milhão de pessoas aos cinemas brasileiros.

Os produtores de Hollywood, cada vez mais acomodados e dispostos a apostar apenas no que já foi testado, compraram os direitos para adaptar a história baseada em fatos. Vemos, então, ser transportada de Paris para Nova York a amizade entre um homem riquíssimo e tetraplégico e seu novo cuidador, que vem da periferia da cidade, já cumpriu pena por roubo e só queria uma assinatura que provasse que ele está tentando arrumar um emprego, quando sem querer acaba conseguindo um.

Apesar de ser a pessoa menos experiente para assumir o cargo de cuidador de Phillip (Bryan Cranston), Dell (Kevin Hart) ganha sua chance justamente por mostrar que não sente pena de seu chefe por ele ser um cadeirante e o trata com igualdade. Embora diametralmente opostos em praticamente tudo, os dois acabam se dando bem e vão, obviamente, aprendendo um com o outro até que algo acontece e coloca a relação dos dois em xeque.

Ao contrário de várias outras adaptações que já vimos por aí, Amigos Para Sempre se esforça para se atualizar, mudar um pouco da história e trazer alguma novidade para quem conhece o original. Não é apenas uma refilmagem quadro a quadro, como aconteceu, por exemplo com o espanhol [REC] e o argentino Nove Rainhas. A personagem de Nicole Kidman é um bom exemplo desta busca por algo novo - a atriz está muito bem como a assistente pessoal de Phillip, mas a forma dura como sua Yvonne Pendleton trata Dell no início acaba esvaziando os ataques de nervosismo do bilionário.

Outra mudança bem grande é Lily, a paixão epistolar vivida por Julianna Margulies. No filme original, ela não aparece até a cena final. Aqui, ela vem antes e ajuda a dar profundidade aos sentimentos de Phillip. É uma troca que reforça a amizade incondicional de Dell e Yvonne a Phillip.

Mas apesar de uma boa atuação também de Bryan Cranston, é Kevin Hart quem ganha o filme. Dell é debochado e carinhoso na medida certa. Não só com Phillip, mas também com sua família. Quem se acostumou a ver recentemente Hart como o parceiro histérico de The Rock vai ter uma bela surpresa. E quem não assistiu ao filme original pode aproveitar e fazer uma sessão dupla. Além de fazer o “jogo da memória” de ver o que é igual e o que ficou diferente, não faz mal algum ver uma história que mostra uma relação de amizade que quebra várias barreiras.

Nota do Crítico
Bom