Alfa

Filmes

Crítica

Alfa

Misto de aventura pré-histórica com drama de cachorro destoa pela precariedade

Marcelo Hessel
05.09.2018
11h08
Atualizada em
06.09.2018
13h25
Atualizada em 06.09.2018 às 13h25

Em comum com O Livro de Eli, o filme mais conhecido do diretor Albert Hughes, Alfa tem o senso de carregar consigo o peso da História num relato moral e edificante de cautionary tale. Com alguma boa vontade, é isso que se percebe aqui a título de visão de mundo e de um discurso articulado de autor - de resto, Alfa mistura clichês da aventura pré-histórica com drama de cachorro em uma produção bastante precária.

Kodi Smit-McPhee (o Noturno de X-Men: Apocalipse) interpreta um adolescente há 20 mil anos. Ele está passando pelos testes da tribo a caminho da maioridade, e sofre um acidente durante uma caçada a búfalos. Largado à morte nos dias que antecedem o inverno, ele precisa voltar para casa, e para tanto cria uma relação com um lobo que também foi deixado por sua alcateia.

Associado ao seu irmão Allen, Albert quase levantou voo na Hollywood que começava a flertar com a estética dos quadrinhos nos anos 2000, e talvez por isso sua tendência visual - conceber enquadramentos de ação tipo tableau, uso de câmera lenta, muito filtro de cor para tornar tudo mais arrojado - se confunda com a de Zack Snyder. Num frame de ação congelado, Alfa poderia se confundir com 300 de Esparta, mas o núcleo emocional do filme se assemelha mais a uma matinê da Disney, com seu texto superfuncional de superação e de preservação da família.

A estetização, de qualquer forma, ajuda a dar um verniz. Ainda assim, a limitação do orçamento se faz sentir nos cenários, em especial nas panorâmicas como aquela que passa em time lapse por terrenos de computação gráfica mal acabados. Hughes parece estar fazendo um épico de US$ 150 milhões sem se preocupar com o fato de ter seu filme orçado em um terço dessa cifra, e o valor sofrível de produção acentua o que Alfa já tinha de frágil em sua dramaturgia. Nos melhores momentos, o longa parece um bonito descanso de tela de noites estreladas.

Embora as cenas de silêncio e isolamento sejam constantes, Hughes não tem muito senso de preparação e entrega, e a jornada do menino acaba sendo muito mais um sentimentalismo entregue em close-ups do que uma construção de clima mesmo a partir dos espaços e do tempo. Todo o clímax, por exemplo, parece apressado para que o filme termine - quando a lição já foi aprendida, e neste filme ela precede o drama em si.

Nota do Crítico
Ruim