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Crítica

Águas Rasas | Crítica

Longa de sobrevivência acerta na protagonista, mas erra no ritmo

Camila Sousa
25.08.2016
11h31

Filmes com a temática de sobrevivência têm o objetivo de fazer o público pensar sobre a própria existência e valorizar mais o que já possuem. Águas Rasas, longa dirigido por Jaume Collet-Serra (A Orfã, Sem Escalas), cumpre bem esse papel, apesar de pecar um pouco no ritmo da narrativa.

Na trama, a jovem Nancy (Blake Lively) vai até uma praia deserta surfar para esquecer dos problemas. No decorrer da história, descobrimos que o cenário tem uma grande importância para a família da garota, e que ela própria está passando por um momento conturbado da vida, o que a leva até o local em busca de um pouco de paz.

Essa parte inicial, apesar de importante, se arrasta mais do que o necessário. O longa tira vários minutos para simplesmente mostrar Nancy curtindo o mar e se divertindo com as ondas, dispersando o público quando deveria criar empatia. Apesar disso, vale citar que o local escolhido para as filmagens é realmente paradisíaco e Collet-Serra acerta muito na escolha de  planos abertos  para mostrar o quanto Nancy é pequena em relação a natureza.

Em um desses momentos, Nancy está sozinha, quando percebe uma movimentação na água: um grande tubarão começa a rodeá-la e faz com que o caminho de volta para a praia fique praticamente impossível. Ela se abriga em um algumas pedras que estão próximas e, já ferida pelo primeiro ataque do bicho, espera por socorro. Blake Lively mostra uma qualidade interessante de atuação nesse momento, que chega a lembrar filmes como 127 Horas. A personagem sofre com dor, frio, fome, sede e o medo constante do tubarão, o que comprova na atriz uma evolução muito maior do que a de seus colegas da série Gossip Girl (2007-2012).

Para mostrar o perigo representado pelo Tubarão do filme, Collet-Serra também apresenta outras vítimas do predador. As cenas dão  um toque gore ao longa, que destoam um pouco do clima até então, mas garantem que o drama de Nancy ganhe a gravidade necessária para estabelecer a tensão. Isso, acima de tudo, funciona dentro da proposta do filme, que consegue envolver o público com o sentimento de sobrevivência.

Águas Rasas se torna interessante por apostar em praticamente uma única atriz em tela durante toda a projeção e por mostrar como o ser humano pode compensar com raciocínio  a sua fragilidade em meio a natureza.

 

Águas Rasas
The Shallows
Águas Rasas
The Shallows

Ano: 2016

País: EUA

Classificação: 14 anos

Duração: 102 min

Direção: Jaume Collet-Serra

Roteiro: Anthony Jaswinski

Elenco: Blake Lively, Óscar Jaenada

Nota do Crítico
Bom

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