Taraji P. Henson em Acrimônia

Créditos da imagem: Acrimônia/Chip Bergmann/The Tyler Perry Company/Divulgação

Filmes

Crítica

Acrimônia - Ela quer Vingança

Taraji P. Henson brilha em filme sobre armadilhas dos relacionamentos

Camila Sousa
09.08.2018
10h38
Atualizada em
09.08.2018
12h55
Atualizada em 09.08.2018 às 12h55

Existem filmes que mais intrigam do que esclarecem e esse é o caso de Acrimônia - Ela quer Vingança, longa estrelado por Taraji P. Henson e escrito e dirigido por Tyler Perry (conhecido nos EUA pela personagem cômica Madea). De acordo com a sinopse, Melinda (Henson) é uma esposa fiel, que se cansa de ficar ao lado do marido desonesto (Lyriq Bent) e fica enfurecida quando percebe que foi traída. Só que não é bem assim.

Uma das primeiras coisas que o filme estabelece é uma dúvida sobre a sanidade de Melinda. Descrita como explosiva desde a juventude, ela tem atitudes questionáveis durante toda a história e se torna motivo de preocupação da família. Claro, isso poderia ser uma forma de o filme mostrar o julgamento machista da sociedade, e como mulheres têm seus problemas menosprezados (muitas vezes até por outras mulheres). Mas isso nunca fica bem claro em Acrimônia. O roteiro de Perry se aproxima muitas vezes dessa e de outras discussões, mas sempre recua antes de se aprofundar.

Aliás, é possível dizer que ele subverte essa ideia, principalmente quando mostra o lado de Robert (o marido): apesar de ter magoado sua esposa de forma permanente, ele vê a situação de forma totalmente diferente. Ao colocar esse contraponto, Acrimônia brinca com os sentimentos e a lealdade do público: quem será que está certo? Será que ela deveria ter falado sobre o que a incomodava? Ou ele não deveria ter exigido demais dela? São perguntas que ficam com o público depois que a projeção termina.

E no meio de tudo isso há Taraji P. Henson, que atua de forma brilhante em todos os momentos. É pelo olhar da atriz que entendemos a dor, a solidão, a fragilidade e a raiva de Melinda. Isso se destaca em uma cena específica que é tão absurda que tinha tudo para cair no lado cômico, mas não há espaço para o riso: Henson coloca tanta potência em sua performance que a única opção para o público é ser surpreendido.

Acrimônia escolhe o caminho do absurdo para encerrar sua trama e isso também confunde: não há realmente como saber o objetivo de Tyler Perry. Talvez fosse falar sobre os perigos de relacionamentos tóxicos, ou sobre como é preciso ter cuidado com os sentimentos das pessoas, mas não há nenhuma certeza aqui. Quando as luzes do cinema se acendem, existem mais perguntas do que respostas. Essa provocação é, no mínimo, instigante.

Nota do Crítico
Bom