Foto de Abigail e a Cidade Proibida

Créditos da imagem: Abigail e a Cidade Proibida/PlayArte/Divulgação

Filmes

Crítica

Abigail e a Cidade Proibida

Blockbuster russo conta a famosa história da jornada do herói sob o olhar de uma cultura diferente

Camila Sousa
12.09.2019
14h10

Há algum tempo a Rússia aumentou seu investimento em blockbusters. Dono de um histórico importante na sétima arte, o país percebeu a importância de investir também em grandes produções cheias de efeitos visuais. Um exemplo recente foi o lançamento de Os Guardiões, em 2017. Anunciado como o “Vingadores da Rússia”, o longa teve uma bilheteria modesta (US$ 15 milhões), mas chamou a atenção por ser uma nova leitura de uma trama já conhecida. O mesmo acontece aqui em Abigail e a Cidade Proibida, filme de fantasia que não ousa muito, mas tem seus méritos.

A trama acompanha a jovem Abigail (Tinatin Dalakishvili), que vive em uma pequena cidade cercada por todos os lados para evitar a epidemia de uma poderosa doença. Apesar de não se conectar muito com a mãe, ela tem uma forte ligação com o pai (Eddie Marsan, presença inglesa no filme), que a ensina várias coisas importantes para o futuro e acredita em seu potencial. Tudo muda quando ele é dado como infectado pela doença e levado para fora da cidade, junto com outras pessoas. Já com 18 anos, Abigail toma para si a missão de procurá-lo e resgatá-lo.

Com essa premissa, Abigail e a Cidade Proibida tem pouco de novo a oferecer, além de detalhes da cultura russa. A protagonista passa por todos os momentos da jornada clássica do herói, desde a perda do mentor, representado pelo pai, até a negação da jornada e a volta para casa. Há a repetição de vários símbolos comuns em blockbusters, para o bem e para o mal. Abigail tem uma grande força interna dentro de si, mas não sabe como usá-la. Ela não é aceita imediatamente quando encontra um grupo de rebeldes, mas logo mostra que tem força de vontade e merece estar ali, etc. Pelo lado negativo, o longa aposta em um romance frustrante entre personagens que acabaram de se conhecer. E como isso é representado? Claro, com os dois se odiando e brigando o tempo todo.

O caminho percorrido pela jovem Abigail em sua cruzada para salvar o pai já é conhecido pelo grande público, mas o que torna o filme um pouco mais interessante é a presença da cultura russa. Sendo um blockbuster com personagens que falam em inglês, o filme tem o objetivo de atingir o público mundial, por isso não há demonstrações tão diretas, mas é possível encontrar um ou outro detalhe aqui e ali, seja na fotografia que aposta em cores vibrantes, especialmente no vermelho, ou no figurino e cabelo dos personagens, que retratam uma realidade pouco vista nos cinemas.

Ao falar das pessoas que estão “infectadas” pela temível doença, Abigail e a Cidade Proibida trata de seu assunto mais “sério”, que é a segregação daqueles que são diferentes. A magia é apresentada, como já aconteceu em outras oportunidades, como algo a ser combatido. O objetivo do vilão aqui é criar uma cidade em que todos são iguais, seguindo um padrão estabelecido sem questionar. E claro que há uma grande conspiração, recheada de mentiras, para que a população geral acredite em qualquer coisa. Apesar de ser uma discussão válida, o filme volta para seu grande defeito: tudo o que é apresentado já foi visto nos cinemas anteriormente.

Apesar dessa falta de inovação, Abigail e a Cidade Proibida tem bons efeitos visuais e atuações pontuais que chamam a atenção, o que fazem do longa um passo importante para o futuro do cinema da Rússia. Se o objetivo do país é chegar cada vez mais perto do sucesso arrebatador de Hollywood, nada melhor do que começar com o básico.

Nota do Crítico
Bom