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Filmes

Crítica

A Verdade em Segredo

Reviravolta preguiçosa e personagens sem carisma não conseguem prender espectador em thriller político entediante

Nicolaos Garófalo
20.03.2020
16h57

O uso de crimes de guerra como pano de fundo para thrillers políticos não é uma grande novidade em Hollywood. Nos últimos dez anos, por exemplo, A Hora Mais Escura (2012) e The Post (2017) exploraram, de ângulos diferentes, as ações do exército americano em solo estrangeiro e suas consequências após a divulgação para o público. Tentando embarcar no relativo sucesso do gênero – e com o apoio de Jamie Lee Curtis – A Verdade em Segredo tenta em vão reproduzir a atmosfera dos filmes de Kathryn Bigelow e Steven Spielberg.

O filme acompanha Libb (Tika Sumpter), uma paranoica ex-conselheira de segurança nacional da vice-presidente dos Estados Unidos, que caiu em desgraça após o governo autorizar um ataque atômico a Homs, pequena cidade na Síria. Quatro anos depois, a moça se torna professora no curso de Política Exterior em uma respeitada universidade, chamando a atenção de Martin (Ben Tavassoli), que a persegue e vigia sempre que pode.

A trama também mostra flashbacks do período de Libb na Casa Branca, trabalhando ao lado de Adrian (Jeff Hephner), que nunca tem seu posto totalmente especificado, na criação de um motivo plausível e sem furos que justifique o ataque militar. Embora os flashbacks sejam uma tentativa de fazer a narrativa seguir a máxima cinematográfica do “mostre, não fale”, suas curtas cenas não têm muitas informações e servem pouco para apoiar a narrativa.

Na realidade, praticamente todo o roteiro de A Verdade em Segredo sofre por falta de desenvolvimento. A paranoia de Libb, que a leva a trocar de fechaduras e sistemas de alarme a cada semana e viver sem celular ou e-mail, jamais é explicada. Já Martin, que até o segundo ato parecia apenas um rapaz obcecado por sua professora, tem todas as suas razões jogadas em um diálogo expositivo e muda sua personalidade entre uma cena e outra.

Esse desenvolvimento malfeito unido às atuações pouco inspiradas dos atores principais tornam o suspense quase em uma comédia não-intencional, com direito ao estudante despistando com facilidade agentes federais treinados e Libby sobrevivendo a dois atropelamentos seguidos sem um arranhão sequer.

Nem mesmo as curtas aparições preguiçosas de Jamie Lee Curtis, que normalmente consegue elevar a qualidade de qualquer cena, são capazes de tirar o filme do marasmo. A atriz passa longe de seu brilhantismo habitual e sua presença como antagonista jamais é realmente sentida ao longo dos mais de 100 minutos de filme.

Diretor e roteirista de A Verdade em Segredo, Joe Chappelle (Halloween 6) prejudica demais seu próprio longa com suas escolhas de fotografia. Ao mesmo tempo em que não traz nada de novo em tomadas de perseguição ou momentos de suspense, o cineasta ainda cobre o filme com um filtro cinzento e frio que tira qualquer emoção que as cenas tentam passar.

Talvez por entender o tédio do próprio roteiro, Chappelle encerra o longa com uma reviravolta ineficaz, criada apenas para chocar. Diferentemente de outros grandes plot-twists do cinema, os momentos finais não se apoiam em nenhum outro momento de A Verdade em Segredo e revoltam mais do que surpreendem.

Completamente preguiçoso, o longa pouco faz para justificar a atenção do espectador. Perdido com um roteiro problemático e atuações sem emoção, o tempo gasto para ver o filme seria melhor aproveitado assistindo qualquer outra produção do gênero.

Nota do Crítico
Ruim