A Última Gargalhada

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

Filmes

Crítica

A Última Gargalhada

Filme da Netflix erra ao tratar o público como um velho amigo e não cativa o espectador em nenhum momento

Matheus Bianezzi
11.02.2019
18h02

Você trabalhou muito. É um fato. Agora, é hora de relaxar”. Esse é o slogan do asilo onde os protagonistas Al Hart (Chevy Chase) e Buddy Green (Richard Dreyfuss) estão repousando. Mas, contrariando a própria idade, ambos não aguentam mais curtir tal estilo de vida e decidem marchar em uma jornada para encontrar a felicidade. Pena que, diferente dos personagens, o que o público encontra é uma road trip cansativa e sem graça nenhuma.

A Última Gargalhada não apresenta um viés tão melancólico quanto seu título. Pelo contrário. Buddy é um ex-comediante que, ao reencontrar seu antigo agente, é convencido a voltar aos palcos para uma turnê final de shows, parando de cidade em cidade para tentar tirar algumas risadas de uma sociedade que está pronta para aposentá-los. Para um filme que trata a morte como algo iminente a todo momento, falta vida à Última Gargalhada. Os shows de stand up não são essencialmente engraçados; as longas viagens de carro oferecem pouquíssimas aventuras; e, mesmo os atores tendo carreiras célebres, não brilham tendo que trabalhar com um material tão raso e monótono. É difícil encontrar um conflito que o impulsione. De maneira superficial, a pretensão é contar algumas piadas e refletir sobre a efemeridade da vida, deixando claro que os sonhos das pessoas não devem ser deixados de lado só por serem velhas. Com isso em mente, o longa apresenta uma coleção de clichês durante a uma hora e meia - assim como todo filme que envolve idosos, a velha piadinha sobre ereção não podia faltar, não é mesmo?

Os momentos finais têm um salto bastante grande de qualidade - embora ainda não sejam nenhum espetáculo. Isso ocorre por uma virada dramática bastante óbvia, mas que ainda assim oxigena a trama. Nesse ponto, as atuações de Chase e Dreyfuss parecem finalmente se conectar, deixando de serem apáticas. Tal virada vem junto de uma sequência de alucinações sofrida por um dos personagens que trazem dinamicidade visual, algo que a produção carece - e muito. As paisagens abordadas durante as intermináveis viagens de carro são as mais estereotipadas possíveis.

Ambos os atores já tiveram momentos notáveis em suas carreiras. A Última Gargalhada não lembra em nada a tensão do clássico interpretado por Dreyfuss, Tubarão (1975); e também não chega aos pés da sagacidade cômica de Férias Frustradas (1983), o grande filme da trajetória de Chase. Hoje em dia, as filmagens estão cada vez mais raras para a dupla. Seria bastante triste se essa fosse de fato a última gargalhada e ambos encerrassem suas carreiras com um filme tão vazio.

Nota do Crítico
Regular