A Sereia - Lago dos Mortos

Créditos da imagem: A Sereia - Lago dos Mortos/Divulgação

Filmes

Crítica

A Sereia - Lago dos Mortos

Terror russo traz folclore do Leste Europeu pras telas com competência mas pouca ousadia

Arthur Eloi
01.02.2019
20h17

Ainda é muito difícil encontrar produções de terror que não sejam norte-americanas nos cinemas brasileiros, mas as coisas estão mudando. Ainda que os títulos cheguem com distribuição limitada, filmes como os franceses Vingança e A Noite que Devorou o Mundo ou o sul coreano Invasão Zumbi tiveram exibições nas telonas. Um dos mercados internacionais que está se aproximando do Brasil é a Rússia, graças ao diretor Svyatoslav Podgaevskiy: A Noiva (2017) chegou ao país, e agora também o seu longa mais recente, chamado de A Sereia: Lago dos Mortos.

A trama acompanha Marina (Viktoriya Agalakova) e Roman (Efim Petrunin), que estão prestes a casar. Ao sair para comemorar sua despedida de solteiro, o jovem é levado à antiga casa da sua família - apenas para descobrir que uma força maligna, responsável por atormentar seu pai, agora começa a assombrá-lo. Usando o folclore do Leste Europeu como base, o filme parece uma versão distorcida de um conto de fadas - mas interpretado pela ótica moderna. Isso atrapalha um pouco na personalidade do longa, que poderia ter explorado mais as raízes de sua história para entregar algo único. Sem isso, toda a estética soa um pouco batida e genérica, apesar de ter um material muito rico nas mãos.

Isso, é claro, não significa que A Sereia deixa a desejar no visual. Ainda que alguns sustos baratos ofusquem, a direção de Podgaevskiy é sagaz em criar tensão com figuras fora de foco, cenas debaixo d'água e movimentos rápidos de câmera. Os truques são eficientes em deixar o espectador desconfortável, mas seu arsenal é um pouco limitado e repetitivo - algo que indica que há potencial no trabalho do cineasta, mas um que precisa ser lapidado e aperfeiçoado. O uso excessivo de computação gráfica também diminui o impacto da aparição sobrenatural, algo que deixa a produção com um aspecto barato, mesmo que sua fotografia não seja amadora.

O maior problema é a opção de dublagem que a distribuidora Paris Filmes escolheu para importar: ao invés do áudio original em russo, ou então uma adaptação em português-brasileiro, o filme traz uma dublagem em inglês de baixa qualidade. Terror é um dos poucos gêneros em que uma atuação ruim pode ajudar na tensão: nos videogames, por exemplo, tanto os primeiros Silent Hill quanto Resident Evil são interpretados de forma tão caricata e absurda que isso acaba contribuindo na sensação de desconforto. Aqui, por outro lado, a falta de sincronia, vozes que não casam com os personagens e atuações exageradas em momentos mais calmos quebram a imersão constantemente e só fortalecem a ideia de ser um produto duvidoso.

A Sereia: Lago dos Mortos tem muitas ideias interessantes nas mãos, mas sofre com uma execução problemática. Mesmo assim, o longa acerta na tensão, traz uma trama interessante (ainda que subdesenvolvida) e alguns sustos bem confeccionados. Fica claro que o diretor encontrou uma fórmula para produzir seus projetos com qualidade consistente, ainda que com pouca ousadia e um desapego preocupante com as influências de sua própria cultura.

Nota do Crítico
Regular