A Morte Te Dá Parabéns 2

Créditos da imagem: A Morte Te Dá Parabéns 2/Divulgação

Filmes

Crítica

A Morte Te Dá Parabéns 2

Sequência eleva o espírito cômico de aventura adolescente do primeiro e novamente acerta pelo carisma da protagonista

Arthur Eloi
22.02.2019
19h04

O loop temporal já não é mais novidade no audiovisual, mas ainda entrega com frequência histórias divertidas e concisas. A Morte Te Dá Parabéns é um bom exemplo disso, trazendo um terror light regado de humor sombrio para mostrar Tree (Jessica Rothe) revivendo dolorosamente o dia de seu assassinato até encontrar quem é o responsável. É um conceito simples e de clara resolução - até que a produção decidiu complicar tudo com uma sequência. Por sorte, o resultado é melhor do que o esperado.

A continuação mostra Ryan (Phi Vu), um dos colegas de Tree, sendo afetado pela mesma situação terrível que atormentou a garota no primeiro filme. Quando tenta ajudá-lo, ela se vê novamente puxada para o dia de sua morte - e, dessa vez, em uma dimensão paralela. A premissa dá a possibilidade de recriar os acontecimentos do primeiro longa, o que poderia ser uma forma fácil e preguiçosa de lucrar um pouco mais, mas aqui isso é utilizado para brincar com as diferenças da suposta nova linha temporal e também com o conhecimento da protagonista.

O que ajuda a encarar novamente o mesmo plot é o tom cômico que, aqui, é ainda mais exagerado, mostrando a garota simplesmente fora de si ao ser forçada a passar pela experiência traumática de ser perseguida mais uma vez. Para piorar, ela lida com toda uma complicação quântica longe de seu entendimento, causada por uma invenção de seus amigos, para tentar retornar ao seu cotidiano fora do loop. O foco é bem menos no assassino e muito mais em como Tree precisa se manter sã em meio à ameaça e entender as novas mecânicas trazidas pela troca de dimensão.

Investir no estilo aventura adolescente se prova uma boa decisão, já que o filme conduz o espectador com muito humor ácido e sombrio - mas que não chega ao ponto de ser perturbador, algo que fica claro na violência gráfica reduzida. Ainda que tenham momentos de tensão - sempre que o assassino de máscara de bebê está nas telas -, é um longa cujo objetivo é arrancar risadas das várias desgraças que Tree passa: em certo ponto, por exemplo, ela precisa agilizar o ritmo que recomeça o loop ao invés de esperar ser assassinada no fim do dia. O resultado é uma montagem, ao som de "Hard Times" do Paramore, da protagonista buscando jeitos criativos de se matar. É uma temática pesada, abordada de forma leve e divertida.

Isso funciona pelo carisma de Rothe como Tree. A atriz está completamente confortável no papel, trazendo naturalidade ao descontentamento da sua personagem, mas também muito carisma para as desventuras irônicas e uma facilidade para alternar sátira, tensão e drama - três pilares que fazem a franquia ser interessante. Ainda que o elenco secundário não decepcione - especialmente Ryan e Danielle (Rachel Matthews) - é ela que, novamente, carrega o filme mesmo na repetição de mistérios batidos, como a velha pergunta de "Quem será o assassino?" que já não empolga tanto assim.

A Morte Te Dá Parabéns 2 podia ser um conceito levado ao cansaço, mas que acerta ao mudar ao focar no entretenimento e se comprometer em complicar sua premissa na medida certa. É uma pena que o lado de terror seja ainda mais fraco que no primeiro, deixando a desejar na violência gráfica e criatividade nos ataques do serial killer, mas o humor certeiro e a conclusão redonda definem o longa como uma experiência bem satisfatória e divertida.

Nota do Crítico
Ótimo