Pôster de A Maldição da Chorona

Créditos da imagem: A Maldição da Chorona/Warner Bros./Divulgação

Filmes

Crítica

A Maldição da Chorona

Lenda urbana mexicana é abordada em filme raso, formulaico e sem tensão.

Arthur Eloi
18.04.2019
19h41
Atualizada em
02.05.2019
08h39
Atualizada em 02.05.2019 às 08h39

O universo de Invocação do Mal é uma grande contradição: ainda que todos os derivados sejam sucesso de bilheteria no mundo todo, nenhum deles se saiu bem com público e crítica. Para a Warner Bros., é um caso em que os acertos falam mais alto que os erros, o que garante que novos filmes sejam feitos - e também, infelizmente, que os problemas permaneçam a cada capítulo inédito. A Maldição da Chorona representa isso muito bem.

Mesmo que a divulgação do longa não assuma que a trama se passe no mesmo universo do casal Ed e Lorraine Warren, o longa é ambientado na Los Angeles de 1973 e coloca uma família no caminho da assombração do título, uma mulher que persegue crianças após ter afogado seus próprios filhos. A criatura vem de uma lenda urbana mexicana, mas o roteiro não se preocupa muito em honrar essas raízes, apenas puxar a figura central e colocá-la em um filme formulaico e sem identidade.

A Chorona é uma antagonista fraca: pouco sobre sua história é explicada além da premissa básica, o que resulta em formas desinteressantes e impessoais de combatê-la. Ela também não tem o mesma presença que Valak, a freira demoníaca, o que por si só já alivia bastante o impacto visual do filme. O que realmente complica é como o diretor Michael Chaves, em seu primeiro longa, não consegue criar tensão de forma original e compensa com sustos baratos. Entre os derivados de Invocação do Mal, esse é facilmente o mais apelativo - e também o que menos funciona.

O problema é que Chaves não traz nada de novo à fórmula criada por James Wan. Não que ele seja o único - todos os diretores da franquia tentam seguir isso, mas cada um adiciona algo próprio, por menor que seja - mas com certeza é o que menos experimenta nos momentos assustadores. É um filme que mais parece um compilado das técnicas de Wan, como o plano-sequência para apresentar o ambiente no início ou então brincar com ameaças vindo de várias direções, como a cena em que as crianças principais se refugiam no carro e precisam impedir as janelas de se abrirem, uma por vez. É como se alguém tivesse feito o filme a partir de uma receita, com medo de estragá-la ao introduzir novos ingredientes e, mesmo assim, o resultado foi longe do esperado.

A Maldição da Chorona representa o grande problema dessa expansão de Invocação do Mal: produzir uma saga de filmes em linha de montagem. Todos saem com a mesma estrutura, mas vê-la repetida com cada vez menos experimentação nas tramas, sustos e tensão deixa uma sensação verdadeiramente amarga - algo intensificado em um longa com personagens e situações rasas.

Não é à toa que a Warner Bros. não queira associar a produção ao seu universo de filmes, mas simplesmente esconder a sujeira debaixo do tapete não é o bastante: é preciso aprender pelo exemplo e quebrar a fórmula que se tornou tão previsível. O que piora tudo é sair da sala de cinema sabendo que, enquanto o dinheiro estiver entrando, as coisas não vão mudar. Com mais dois filmes desse universo já confirmados - sendo um deles o terceiro da franquia principal, também comandado por Chaves - é difícil esperar alguma coisa além de mais do mesmo… só que cada vez um pouco pior.

Nota do Crítico
Ruim