Filmes

Crítica

A Incrível História de Adaline | Crítica

Mistura de romance com fantasia agrada com uma atuação elogiável de Blake Lively

André Zuliani
21.05.2015, às 18H03

A fábula do amor verdadeiro é algo recorrente nos cinemas desde a sua criação. O público se encanta e se emociona com produções muitas vezes parecidas em temas, conflitos ou finais felizes. Em A Incrível História de Adaline (The Age of Adaline), o diretor Lee Toland Krieger tenta fugir do comum ao misturar outro subgênero querido pelos cinéfilos: a ficção de passagem do tempo.

Na trama, Blake Lively vive a jovem Adaline Bowman, mulher nascida na década de 20 que vive uma vida completa, casada com seu amor de infância e com uma pequena filha para criar. Durante uma noite chuvosa, Adaline sofre um acidente de carro quase fatal, sendo reanimada por um raio que atinge o lago no qual o veículo se encontrava. O acontecimento causa um fenômeno inesperado e a jovem é "condenada" a existir com a aparência de 29 anos pelo resto da vida.

A palavra condenada é pertinente, pois a trama nos apresenta o dom de Adaline como uma maldição. Sem envelhecer, a jovem é obrigada a ver todas as pessoas que ama falecerem, não podendo nem aproveitar de perto o crescimento de sua filha (como explicar uma mãe com a aparência mais jovial que a de sua cria?), além de viver na clandestinidade - a cada década, a protagonista é obrigada a mudar de identidade, para que seu segredo jamais seja revelado.

A comparação com O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button, 2004) é inevitável. No longa de David Fincher, Brad Pitt vive um homem que nasceu em circunstâncias incomuns: nasceu velho e vai rejuvenescendo com o passar do tempo. Benjamin vai aprendendo sobre si mesmo e com as dificuldades da vida durante todos os três atos. Aqui, Lively apresenta uma personagem segura e esbanjando experiência desde o início, com uma atuação elogiável. Afinal, Adaline está fadada a viver solitária, sem ter nada a perder.

O roteiro também brinca com o realismo fantástico que usa para explicar o drama da protagonista. Com argumentos científicos inexistentes, o filme avisa que a causa do "fenômeno Adaline" só será descoberta em 2035, evitando quaisquer outros questionamento no espectador. Mas é na parte amorosa do longa em que encontramos alguns pontos negativos, como a atração quase à primeira vista de Adaline com Ellis (Michiel Huisman) e a obsessão criada por ele para conquistar a amada. Clichês sempre vistos em romances como os de Nicholas Sparks que poderiam ser tratados de maneiras diferentes.

Apesar das falhas com relação ao casal principal, a química dos outros personagens é interessante. Ellen Burstyn, no papel da já idosa Flemming, filha de Adaline, nos convence da relação mãe e filha que apresenta com Lively. Harrison Ford, mesmo que secundário na trama, também acrescenta qualidade na sua interpretação de alguém relacionado ao passado da protagonista.

A Incrível História de Adaline é previsível, mas possui elementos que o transformam em um bom filme do gênero. Um romance sem grande complexidade, que entrega um resultado delicado e eficiente.

A Incrível História de Adaline
The Age of Adaline
A Incrível História de Adaline
The Age of Adaline

Ano: 2015

País: EUA

Classificação: 12 anos

Duração: 0 min

Direção: Lee Toland Krieger

Roteiro: Salvador Paskowitz, J. Mills Goodloe

Elenco: Blake Lively, Harrison Ford, Michiel Huisman, Amanda Crew, Ellen Burstyn, Richard Harmon, Kathy Baker, Anthony Ingruber, Lynda Boyd, Barclay Hope, Chris William Martin

Nota do Crítico
Bom

Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados e cookies para as finalidades ali constantes.