A Hora da sua Morte

Créditos da imagem: A Hora da sua Morte/Wrigley Pictures

Filmes

Crítica

A Hora da sua Morte

Terror renova trama de Premonição com gancho de O Chamado, mas sem imaginação ou recompensa

Julia Sabbaga
28.02.2020
14h31

O uso da tecnologia como premissa assustadora no terror não é nada nova, mas passa por constantes mudanças, se aproveitando das inovações ou sensações da modernidade. Isso foi levado às telas com sucesso variado, em produções como Amizade Desfeita ou Cam. O terror A Hora da Sua Morte é o mais novo exemplo disso, e se assemelha aos anteriores principalmente por se sustentar apenas em sua premissa e gênero, sem um cineasta renomado ou um elenco chamativo. Mas no caso do longa do aplicativo da morte, a tecnologia é apenas tempero atual à uma trama já reciclada diversas vezes, que faz com que o suspense soe mais com um reboot não oficial de Premonição, com toques de O Chamado.

Em A Hora da sua Morte, Elizabeth Lail (A Beck de You) interpreta Quinn, uma enfermeira que baixa um aplicativo que prevê seu tempo de vida, e descobre que tem apenas dois dias restantes. Descrente no início, Quinn passa a ser assombrada por uma criatura e então gasta seus últimos dias de vida procurando um jeito de enganar a morte e sobreviver ao destino. A premissa em si já explica o espírito de Premonição do filme, e isso não seria problema se A Hora da Sua Morte apresentasse algum tipo de recompensa pela recriação de uma ideia. Mas o suspense não oferece nenhuma inovação, poucos sustos e carece de imaginação. A dificuldade do diretor novato Justin Dec de preencher 1 hora e meia de duração com o desenvolvimento da premissa é tanta que A Hora da sua Morte precisa retomar ideias clássicas de assombrações para seguir o rumo. 

Como já é tradicional da nova onda de suspenses adolescentes, A Hora de sua Morte também segue a mania de adicionar um humor autoconsciente, mas o filme não chega ao objetivo de tirar sarro de si mesmo, ficando em um meio-termo que não se sustenta. Durante a jornada de Quinn, surgem coadjuvantes válidos que funcionam como alívio cômico, mas funcionam até certo ponto; o padre moderninho de PJ Byrne (que inusitadamente ouve Lil Nas X) funciona pelo fator inédito, mas perde a graça rápido, e o hacker Derek (Tom Segura) traz um humor ácido bem vindo, mas é super-utilizado e também se desgasta. 

Como se não bastasse, A Hora da sua Morte encaixa no meio da trama um arco da era Me Too tão incoveniente que não faz nada além de contribuir para uma história bagunçada. Caminhando com poucos momentos realmente assustadores e com interpretações medíocres, talvez o único legado do suspense de Dec tenha sido introduzir Lail ao gênero. Sem grande talento para brilhar em produções maiores, talvez seu futuro na atuação seja exatamente em pequenos filmes de terror, como este.

Nota do Crítico
Ruim